Oriundi tem pré-estréia na terça-feira
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domingo, 26 de setembro de 1999
por Luiz Carlos Merten 
São Paulo, 27 (AE) - Ricardo Bravo esteve no Festival de Vancouver e depois em Denver, mostrando Oriundi e volta na terça ao Brasil. O retorno apressado tem razão de ser: o filme com Anthony Quinn terá pré-estréia nacional na terça, no Festival do Rio 99. É a concretização de um sonho de quatro anos. Quer dizer: quatro anos para fazer o filme sobre uma família de imigrantes italianos no Paraná. Na verdade, o sonho de filmar com Quinn era muito anterior na vida de Bravo.
Tudo começou quando ele comprou (por dois anos) o direito do livro Ardente Paciência, de Antonio Skármeta. Imediatamente pensou no veterano Quinn, uma das lendas de Hollywood, para fazer o poeta Pablo Neruda. O projeto não vingou e o filme terminou sendo feito por Michael Bradford com Massimo Troisi e Philippe Noiret com o título de "O Carteiro e o Poeta" (o mesmo com que o livro foi relançado no Brasil) e estourou nos cinemas de todo o mundo. O filme sobre Neruda não deu certo, mas aproximou Bravo de Quinn. A parceria, afinal, concretizou-se com Oriundi.
Foram oito semanas de filmagem, durante as quais Quinn transferiu-se com a mulher e o filho para Curitiba. "Uma experiência emocionante", resume Bravo. Amanhã, o filme começa a chegar ao público brasileiro. Após a pré-estréia na mostra do Rio, estréia em 22 ou 29 de outubro num cinema de Curitiba para cumprir um rito. Bravo fica sem graça de falar. "Vão dizer que sou presunçoso." O produtor R.A. Gennaro, da Laz Audiovisual, termina por revelar: esse lançamento visa habilitar o filme para concorrer ao Oscar.
Quem viu diz que o filme é romântico e delicado, uma surpresa. Já no que se refere a Quinn, não há surpresa. O grande ator de "Zorba, o Grego" e "A Estrada da Vida", duas vezes vencedor do Oscar de coadjuvante (por "Viva Zapata!" e "Sede de Viver"), tem um de seus melhores papéis como o patriarca que vê o seu mundo desmoronar. Letícia Spiller faz dois papéis: o da mulher de Giuseppe e de uma parente na qual ele vê a reencarnação da ex-companheira. Quinn está tão bem que poderá ganhar uma indicação para o Oscar.
Por enquanto são só conjecturas, como a de que o filme poderá ser distribuído nacionalmente pela Lumire e internacionalmente pela Miramax. De concreto mesmo, só o valor da experiência. "O Quinn me paternalizou", admite o diretor. Quando mostrou o filme para ele, em Denver, Quinn elogiou o trabalho da montadora Isabelle Rathéry. Gostou da adaptação, da fotografia. Sua filha, que estava com ele, perguntou: "Não vai elogiar o Ricardo?" Quinn retrucou: "Por acaso eu vivo passando a mão na sua cabeça? Você é minha filha; dele, eu também esperava o melhor."
Convites para festivais não faltam. Depois de Vancouver e do Festival do Rio, o filme vai para o Festival Los Angeles Latino e para Shangai. O lançamento será em janeiro. Gennaro ressalta que a produção de R$ 3,2 milhões chega ao fim sem dívidas. Quinn trabalhou por salário e porcentagem. Arquiteto, publicitário, Gennaro está feliz da vida como produtor. Nem sonha em dirigir. Gosta mesmo é de criar a infra-estrutura, para que outros, diretores e roteiristas, encarreguem-se da criação. Com sede em Curitiba, sua empresa prepara-se para dois novos filmes: um para cinema e TV sobre Garibaldi na América e a estréia do ator Paulo Betti na direção, Cafundó. Dívida, admite só ter uma, moral: a gratidão por um mito como Quinn ter vindo ao Brasil por acreditar no projeto, sem nem discutir salário. O ator volta ao País em janeiro, para o lançamento.


