Oriundi começa a tomar forma
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de fevereiro de 1998
Zeca Corrêa Leite 
Marcelo AlmeidaA equipe de Oriundi
reuniu-se
em Curitiba:
trabalho
está nas
mãos de
profissionais
tarimbadosUm filme longa-metragem está sendo gestado em Curitiba. Oriundi, criação do roteirista Marcos Bernstein sobre uma pesquisa desenvolvida pelo cineasta e escritor Valêncio Xavier, começa a ganhar feição. Os primeiros traços estão surgindo com as escolhas dos locais feitos de casarios antigos, construções modernas, detalhes que a cidade esconde aos olhos dos moradores, mas que saltam à vista dos visitantes.
Um grupo de profissionais cariocas está às voltas não só com cenários, mas com a personalidade curitibana. Afinal aqui permanecerão por alguns meses, durante a rodagem do filme. Somos pioneiros de uma atividade que vai se desenvolver futuramente aqui. Curitiba tem que entrar nesse movimento nacional de cinema, afirma o produtor executivo Telmo Maia.
Há duas semanas o staff técnico estava em peso na cidade cuidando dos detalhes desta fase preparatória. É uma equipe de peso: o diretor Ricardo Bravo, recentemente participou do festival de cinema de Havana, com Cheque Mate. O diretor de fotografia, Toca Seabra, com passagens pela TV Globo, assinou a fotografia de Anaconda e O Dia da Caça, este ainda inédito nas telas.
Sérgio Silveira, que tem entre seus trabalhos mais conhecidos os filmes O Quatrilho, de Fábio Barreto, Eu Sei que Vou te Amar, de Arnaldo Jabor e Chica da Silva, de Cacá Diegues; Telmo Maia, que assinou as produções executivas de Tieta do Agreste, de Diegues, Super Xuxa Contra o Baixo Astral, de Ana Diller e Eu Sei que Vou te Amar, de Jabor. O coordenador de produção é Ricardo Karan.
Apesar da fama cultural que Curitiba ostenta, falta a ela vivência cinematográfica. Não se fazem filmes aqui, como em São Paulo e Rio de Janeiro, e esse distanciamento entre a comunidade e a produção do filme é um desafio a ser vencido. Percebemos que existe a necessidade de integração da cidade com o projeto, comentou o produtor executivo Telmo Maia, em entrevista à Folha Dois.
Marcelo AlmeidaO diretor
Ricardo
Bravo:
expectativa
de troca
com a
comunidade
Ele expôs as necessidades da equipe. Precisaremos de informações, de mobiliário, documentos, locações. Quanto maior acesso tivermos, mais profunda será essa relação com Curitiba e o projeto, por sua vez, será ainda mais bem-sucedido. No entanto, essa acesso ainda não existe, justamente pela falta de tradição cinematográfica.
Oriundi é um filme que vai contar a saga de uma família italiana, desde sua vinda a um país desconhecido, a luta contra todas as formas de pobreza, a lenta construção de um império e a rápida decadência quando os descendentes já não têm mais convicção e orgulho de suas raízes.
Esses italianos serão focalizados especialmente nos casarios da antiga comunidade de Santa Felicidade. A ala mais rica deverá ser instalada nas mansões da Avenida João Gualberto. A antiga residência da família Leão encheu os olhos da equipe.
A expectativa dos cariocas é o rompimento da barreira que cerca a cidade. Nossa intenção é gerar uma relação amigável e de troca com a região, afirmou Ricardo Bravo. Para Telmo Maia este é um momento de pioneirismo de uma atividade que certamente vai se desenvolver aqui; Curitiba tem que entrar nesse movimento do cinema nacional, que está contagiando o País como um todo.
Sem recursos financeiros de vulto, a equipe trabalha para que o resultado seja de alto nível. O objetivo será mais facilmente atingido à medida que houver uma resposta da comunidade.
Para o diretor de arte, Sérgio Silveira, Oriundi mostrará ao Brasil uma revisão histórica, ou seja, a de que a colonização italiana não se deu somente em São Paulo com seus célebres bairros do Bixiga e do Brás. Antes de aparecer O Quatrilho, ninguém sabia dos italianos do Rio Grande do Sul.
Como é igualmente desconhecido o importante papel desempenhado por eles no sul paranaense. Na opinião de Silveira, Curitiba é a cidade onde a migração italiana melhor soube se harmonizar com outros povos raças, como os alemães e polacos.


