Curitiba recebe neste final de semana um espetáculo de dança de contornos épicos. Alardeado como um show cinematográfico, chega ao Paraná ''Lanternas Vermelhos'', em apresentação do Balé Nacional da China, que estreia nos palcos paranaenses, sob direção do cineasta Zhang Yimou. A performance une dança e teatro em proposta cultural que une o oriente e o ocidente.
Pra quem não se lembra, Zhang Yimou foi quem ''ocidentalizou'' várias das tradições orientais por meio de produções chinesas para norte-americanos verem, a exemplo de ''Herói'' e ''O Clã das Adagas Voadoras''. Como mérito, o cineasta sempre soube dosar sensibilidade com vigor, em sequências com incomum preocupação estética, resultado da mistura de fotografia, dança, teatro e grafismos.
Essas qualidades de Yimou foram exaltadas na espetacular abertura da Olimpíada de Pequim, em 2008, quando o cineasta ganhou ainda mais projeção mundial. A partir daí, as sessões para ver ''Lanternas Vermelhas'' tornaram-se ainda mais concorridas.
O espetáculo narra uma história que se passa nos anos 1930 e tem como pano de fundo resquícios da China feudal. A chegada de uma jovem, que se torna a terceira esposa de um senhor feudal, acaba por gerar uma dinâmica amorosa um tanto quanto conturbada. O quarteto leva a brincadeira cênica ao limite e vê os sentimentos à flor da pele à medida que a interpretação de uma ópera se mescla com a realidade.
''É como se fosse um filme traduzido para os palcos. Os conchavos amorosos, a traição, os jogos de sedução, são coisas universais'', destaca o produtor Steffen Davelsberg. A escolha de temas universais, aliás, foi justamente para que ''Lanternas Vermelhas'' apresentasse o Balé Nacional da China e a cultura chinesa para os ocidentais. ''Eles escolheram uma temática histórica com temas chineses mas com uma embalagem ocidental, do balé clássico, que o Ocidente compreende bem. E o Zhang Yimou encontrou soluções cênicas para o palco, com grande impacto visual e sensibilidade.''
O Balé Nacional da China, companhia de dança estatal, existe desde 1959 e somente há 15 anos é que o grupo passou a se apresentar em outros países. É a primeira vez no Brasil. ''O balé da China era um grande tesouro adormecido. Muitos não sabiam que eles tinham essa tradição no balé clássico. Eles incorporaram o método Vaganova da Rússia durante a revolução cultural chinesa em 1950. Hoje, o balé é o cartão de visitas da China'', explica Davelsberg.
O resultado é um espetáculo que une as culturas ocidentais e orientais em um ambiente cinematográfico, com performance bastante precisa. Afinal de contas, isso faz parte do padrão de qualidade imposto por Yimou. ''O Zhang Yimou recebe o vídeo de cada uma das apresentações feitas pelo balé para que ele possa continuar dando a chancela sobre o que ele criou há mais de dez anos.''
Serviço
- Espetáculo de dança 'Lanternas Vermelhas', com o Balé Nacional da China
Quando - Amanhã, às 21h, e no domingo, às 19h
Onde - Teatro Guaíra (Praça Santos Andrade, s/nº), em Curitiba
Quanto - Os ingressos custam R$ 100 (plateia), R$ 75 (1º balcão) e R$ 45 (2º balcão). Os valores são de meia-entrada, válida para estudantes pessoas acima de 60 anos. Mais informações estão disponíveis pelo telefone (41) 3304-7900.

mockup