ORGULHO GAY É CELEBRADO COM CULTURA
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segunda-feira, 19 de junho de 2000
Alvaro Machado Agência Folha 
No próximo domingo, o centro de São Paulo será o palco de um imenso desfile, a 4ª Parada do Orgulho Gay, Lésbico, Bissexual e Transgênero de São Paulo. Com figurinos exuberantes, muito som tecno e inusitadas performances, o evento será uma verdadeira rave a céu aberto. No ano passado, a passeata reuniu 30 mil pessoas. Este ano, a organização espera atrair mais de 100 mil pessoas.
Porém, já a partir de hoje o orgulho gay e lésbico já aparece nos espaços culturais oficiais e alternativos da cidade, com uma extensa programação que inclui teatro, cinema, fotografia, música e literatura.
A série de eventos vai sublinhar o tema da parada deste ano, Comemorando a Diversidade, e sua curadoria foi confiada ao livreiro Sérgio Miguez.
Abrindo hoje a Semana Cultural GLBT, a Associação da Parada de São Paulo entrega prêmios a sete personalidades no salão nobre da Câmara Municipal.
Só mesmo saindo do gueto poderemos evitar fatos como os recentes casos de violência de policiais contra homossexuais em São Paulo. Esse também é o motivo de ocuparmos culturalmente espaços onde todos circulam, como a Câmara, o Centro Cultural São Paulo e o Museu da Imagem e do Som, diz o professor Roberto de Jesus, presidente da Associação.
A primeira parada do Orgulho Gay e Lésbico surgiu justamente como um protesto contra a violência policial a frequentadores do bar nova-iorquino Stonewall, em junho de 1969. Hoje, paradas como essa acontecem no mês de junho em mais de 160 cidades no mundo.
A parada paulistana está sendo organizada por voluntários como Franco Reinaldo, empresário de turismo, e Fátima Tassinari, administradora de empresas. Bem diferente das paradas norte-americanas, nas quais grupos específicos se inscrevem e desfilam organizados, a passeata aqui é um imenso cordão livre, diz Fátima.
O custo dos eventos soma cerca de R$ 200 mil, cobertos em parte pelo patrocínio de cinco empresas, quatro delas não vinculadas à cultura homossexual, mais o apoio de campanha publicitária desenvolvida por Fábio Siqueira. Contribuem, ainda, 500 voluntários. Entre outras tarefas, eles controlarão o andamento de doze trios elétricos, com DJs, dançarinos e até um bar ambulante.
A parada terá início às 14 horas, estacionando por volta das 19h30 na praça da República para um show do cantor Edson Cordeiro.
Na programação cultural da semana, destacam-se a peça teatral inédita de Vange Leonel e os lançamentos dos livros Devassos no Paraíso, de João Silvério Trevisan, A Forma Estranha, de Wilton Garcia, O Que É Lesbianismo, de Tânia Navarro-Swain, e A Vila das Meninas, de Stella C. Ferraz. No MIS, a mostra Devassos no Cinema traz títulos brasileiros, do premiado Vera ao pouco visto Bahia de Todos os Santos.
Também da Bahia vem a exposição explícita Quase Todos os Homens de Paulete, ou seja, o fotógrafo Paulo Roberto Ferreira, figura emblemática do carnaval de Salvador e funcionário público nas horas vagas. Em suas imagens, as poses típicas das revistas de nu masculino são subvertidas pelo contexto humilde e pelas imperfeições dos modelos.


