Ela foi apelidada carinhosamente de ''Santa Helena'' pelo escritor e poeta Paulo Leminski (1944-1989) - o responsável, aliás, por chamar a atenção do mundo literário para a produção poética de Helena Kolody (1912-2004) - a primeira mulher a compor haicais no Brasil.
Sem se dar conta da inovação do que produzia, a professora elegante, de olhos azuis e amiga das letras lançou seu primeiro livro em 1941, o ''Paisagem Interior'', de um total de 21 publicações até o final da vida. Filha de imigrantes ucranianos, nascida em Cruz Machado (Sul do Paraná), notabilizou-se pelos poemas com apenas três versos, 17 sílabas e ricos de elementos do cotidiano.
Em 2012, ano em que se comemora o seu centenário de nascimento (no dia 12 de outubro), a Secretaria de Educação do Paraná lançou um projeto de estímulo à leitura focado no estudo da vida e obra da poetisa.
Com propostas didáticas diferentes, diversas escolas do Estado estão participando (algumas experiências podem ser conferidas no site oficial da secretaria). Como apoio didático, o site ainda disponibiliza textos e vídeos interessantes sobre a artista, inclusive com depoimentos dela, que durante 23 anos foi professora do Instituto de Educação de Curitiba. Ela também lecionou durante anos na Escola de Professores de Jacarezinho.
Em Londrina, desde o início do ano cerca de 300 alunos do Centro Estadual de Ensino Profissionalizante Professora Maria do Rosário Castaldi estão se dedicando ao estudo sobre a vida e a obra da poetisa. Na semana passada, os alunos fizeram uma exposição de parte dos trabalhos desenvolvidos na sede do Núcleo Regional de Educação. No dia 5 de outubro os alunos devem falar sobre a poetisa na Rádio Londrina e uma participação na Rádio UEL também está prevista.
Sob a orientação das professoras Ivana Moura Moraes (língua portuguesa) e Elsa Aparecida (geografia), o projeto também contou com a participação das professoras Franciele Sussai, Vani Santo (ambas de sociologia) e Heloisa Benatti (arte). Novidade não só para os alunos, os haicais passaram a ser lidos nas primeira aulas em dias variados da semana.
O estranhamento inicial resultou em um conhecimento diferenciado sobre um gênero literário de origem japonesa que nem sempre é trabalhado com profundidade nas escolas. Até mesmo o sobrenome ucraniano - que significa ''pilão'' e deve ser pronunciado como palavra oxítona - gerou curiosidade. ''A maioria dos alunos não tinha acesso aos haicais e não conhecia a poetisa'', comenta Ivana.
O trabalho também motivou pesquisas realizadas no laboratório de informática da escola. Aulas na sala de artes ou em uma grande mesa do pátio quebraram a rotina de sala de aula e proporcionaram um ambiente diferenciado para a aprendizagem de um tema que mexe com a sensibilidade. Os alunos ainda fizeram ilustrações dos haicais de que mais gostaram utilizando materiais diferenciados como lápis grafite, giz de cera, aquarela e papéis com texturas diferentes.
Cada aluno ficou responsável pela elaboração do seu portfólio e não faltou criatividade: caricaturas e páginas decoradas fizeram parte do material. A próxima etapa do trabalho é que os estudantes produzam seus haicais. ''Com certeza esse trabalho fez com que aprendessem a observar a vida com mais atenção, valorizar o dia a dia. A ideia é aguçar a percepção e a sensibilidade, que ajudam também na hora de escrever'', observa a professora.
Vítima de complicações decorrentes de uma arritmia cardíaca, Helena Kolody morreu aos 91 anos, em Curitiba. Sempre rodeada de amigos, sobrinhos e familiares, ela nunca se casou e não deixou filhos. Tendo sempre nutrido o sonho de ser mãe - como relata com doçura em um de seus vídeos -, com certeza ficaria feliz em ver tantas crianças e jovens agora mais próximos a ela.

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