A 10ª edição do Festival de Teatro de Curitiba encerrou ontem. Em entrevista coletiva anteontem, o diretor geral do Festival, Vitor Aronis, divulgou o perfil do FTC deste ano, por intermédio de números, respondendo também a algumas críticas da imprensa especializada. A primeira delas atingiu a Mostra Alternativa (Fringe), que aglutinou uma centenas de peças de nível médio a sofrível.
Vitor está convicto de que não é preciso haver uma seleção dos espetáculos para integrar essa mostra. Todos os grupos interessados em participar do Fringe, e que se adaptam às regras do FTC, tem um lugar ao sol. ‘‘O Fringe é um espaço livre. Venha quem puder vir. Acho que não deve haver seleção, nas edições anteriores também não aconteceu’’, afirma. Para o diretor do FTC, o Fringe foi criado para dar oportunidades a companhias teatrais que não têm expressão nacional e possam ser vistas.
‘‘Se são bons ou ruins os espetáculos esse é o panorama do teatro brasileiro’’, sustenta. Do Paraná, 33 peças participaram esse ano, sendo a maioria criticada pela precipitação em levar aos palcos projetos ainda inacabados e por serem um exercício de egolatria, como ‘‘100 anos...Um Musical’’, de João Luis Fiani e ‘‘Ator-men-ta-do Calibanus’’, de Guilherme Durães. Sobre esses dois fiascos, Aronis sai pela tangente: ‘‘São apostas’’.
O referencial para o inchaço de números de espetáculos para o Fringe é o Fetival de Edimburgo, na Escócia. O diretor do FTC tenta copiar a fórmula européia, sem levar em consideração a ausência de produtores que possam bancar os grupos, patrocinadores específicos para a mostra paralela e o caos em que muitos grupos sobrevivem, apresentando espetáculos primários.
O 10º FTC teve um custo na ponta do lápis de R$ 5 milhões. Mas em virtude das permutas, parcerias e acordos, A Calvin, empresa promotora do evento, deve desembolsar R$ 1,5 milhão, patrocinados pela TIM (empresa de telefonia); Banestado/Itaú. Do governo do estado do Paraná, Vitor Aronis espera receber R$ 300 mil. Outra queixa recorrente neste ano recaiu sobre o posto de vendas de ingressos, apenas 3 terminais num único local, o que exigiu do público paciência redobrada. Segundo pesquisa encomendada pela Calvin, 20% dos ingressos foram vendidos a quem participava pela primeira vez do evento.
No total, o FTC completou 390 apresentações no Fringe, com 30 mil espectadores, enquanto que 31 mil pessoas assistiram aos 67 espetáculos da Mostra Contemporânea. Algumas peças tiveram sessões extras, como ‘‘Dilemma’’, ‘‘Pretas Por Ter’’, ‘‘O Provocador@’’ ‘‘O Cano’’ e ‘‘A Controvérsia’’. Para o 11º FTC, a promessa é de que a venda de ingressos será feita on-line, pela Internet, modelo que será testado a partir de julho no Festival de Dança de Joinville, promovido pela empresa de Aronis.
A campanha publicitária também não foi bem recebida, por ligar a arte a produtos de consumo rápido. Sobre o possível tráfico de influências que caracteriza a presença de dois sócios da Calvin (Cássio Chamecki e Leandro Knopfholz), na Fundação Cultural de Curitiba, Aronis afirmou: ‘‘Não sabíamos que seria tão baixo o nível das acusações’’. Outra pedra no sapato de Aronis é o cartão postal ‘‘Ópera de Arame’’. Como atração turística atende as necessidades, mas como espaço cênico limita sua utilização. ‘‘A Ópera de Arame foi construída para o FTC, mas é preciso buscar soluções técnicas para uma melhor utilização’’, finaliza.

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