Organização da Bienal do século 21 apresenta curadores da mostra
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quinta-feira, 02 de setembro de 1999
Por Jotabê Medeiros 
São Paulo, 03 (AE) - A primeira Bienal de São Paulo do século 21 não vai ater-se à seleção geográfica de artistas e pretende estabelecer-se numa região "além das artes plásticas". Vai custar cerca de US$ 7 milhões (metade do custo da bienal passada). Terá seis curadores - três brasileiros e três estrangeiros - e uma seleção "consensual" de artistas entre esses curadores. Essas são as definições iniciais da organização da 25.ª Bienal de São Paulo, que será realizada excepcionalmente no ano 2001 - em virtude da realização, no ano que vem, da mostra dos 500 anos do Brasil.
Os curadores internacionais da mostra foram apresentados hoje pelo curador-geral, Ivo Mesquita, e pelo curador-associado, Adriano Pedrosa. Além da brasileira Lilian Tone (que é curadora-assistente no Museum of Modern Art, de Nova York), fazem parte do grupo o mexicano Cuauhtemoc Medina (crítico de arte), a belga Barbara Vanderlinden e a neozelandesa Louise Neri
ambas curadoras independentes. Os seis curadores fizeram sua primeira reunião de trabalho em São Paulo para discutir modelos e possibilidades da próxima bienal - uma das mais importantes mostras de arte do mundo. Eles têm até novembro para definir a linha curatorial da mostra, já que a partir daí começam as negociações com artistas e representantes diplomáticos.
O curador-geral, Ivo Mesquita, disse que duas coisas ficaram já definidas: não haverá mais representações geográficas e todos os curadores estarão envolvidos em toda a bienal e não só em compartimentos específicos. "É possível dizer que a presença de Bispo do Rosário na Bienal de Veneza representa todo o Brasil?", indagou Mesquita. Em tempos de globalização, adverte o curador, a arte não tem um contorno geográfico preciso.
Segundo Adriano Pedrosa, os curadores têm em comum um certo apreço pela interdisciplinaridade, que pretendem aplicar na próxima bienal, recorrendo a outros temas que não a arte propriamente dita: urbanismo, literatura, música e outros. Os curadores estrangeiros falaram um pouco sobre sua relação com a arte brasileira. O crítico e historiador mexicano Cuauhtemoc Medina disse que tem uma grande admiração por tudo o que a arte brasileira é e a mexicana nunca foi. Ele destacou a coerência da trajetória da arte brasileira: a ruptura modernista absoluta, o escalonamento da sensibilidade, a busca da identidade.
"Pertenço a uma geração que começa, pela primeira vez, a estabelecer um diálogo com a arte brasileira", disse Medina. Barbara Vanderlinden, que acaba de trabalhar na realização da Manifesta 2 (bienal européia itinerante), é destacada por seu trabalho com a arte contemporânea. Louise Neri é editora em Nova York da conceituada revista "Parkett" e ajudou a montar a Whitney Biennial, em 1997.


