Organização avalia o filo e faz planos para 2000
Jackeline Seglin
A edição 99 do Festival Internacional de Londrina (Filo) chegou ao fim e a cidade voltou à sua rotina. Para a organização do evento, a hora é de avaliar erros e acertos para dar andamento ao projeto do ano 2000: o Festival de Todas as Artes. Em entrevista coletiva realizada ontem a diretora do Filo, Nitis Jacon, fez um balanço do evento, falou do reconhecimento da mídia nacional, das dificuldades enfrentadas e das expectativas para o próximo ano.
De acordo com a organização do Filo, o público da fase internacional foi estimado em 90 mil pessoas. Do total, 30 mil espectadores assistiram aos espetáculos em salas fechadas e no Cabaré. O restante, nas ruas. Nesta contagem, não são computadas somente as pessoas que foram à praça ou à feira para assistir aos espetáculos. Todo mundo que passa e pára é influenciado e, portanto, é espectador, justifica Nitis, apontando que foram realizadas 25 apresentações abertas ao público.
O total da bilheteria do evento ainda não foi divulgado, mas a diretora antecipa que 40% do total de ingressos foram distribuídos como convites (a maior parte para patrocinadores). O custo da mostra internacional do Filo 99 foi de US$ 1 milhão (o orçamento inicial de US$ 1,2 milhão teve que ser reduzido). A organização está trabalhando com uma pequena dívida - segundo Nitis, administrável. O festival esbarrou em problemas como liberação de verba, que interferiram diretamente nas contas.
Nitis Jacon não escondeu seu descontentamento com as autoridades governamentais. O Filo teve US$ 100 mil da prefeitura de Londrina. O prefeito não viu os espetáculos - talvez pelos seus inúmeros compromissos - mas tenho certeza de que os assessores dele levaram as páginas de jornais que estampavam a cidade de Londrina através de um dos maiores eventos culturais do País, desabafa.
Na avaliação dos imprevistos da edição 99 do Filo, Nitis Jacon diz que todos os pontos foram avaliados imediatamente e contornados à medida do possível. Ela destacou os problemas técnicos ocorridos no primeiro dia do Cabaré, durante show do cantor Ney Matogrosso, e em uma das apresentações do Ballet de Londrina no Cine-Teatro Ouro Verde (o espetáculo foi interrompido algumas vezes por causa de blecautes).
A segurança do Cabaré também causou reações negativas. Algumas pessoas reclamaram da falta de habilidade dos seguranças, que por estarem trabalhando num ambiente como o Cabaré deveriam ser melhor instruídos nas abordagens aos convidados. Problema semelhante foi detectado na entrada do show dos Racionais MCs, único dia em que parte do público foi revistado.
Segundo Nitis Jacon, a organização optou por colocar seguranças na entrada depois de receber informações de que no último show do grupo em Londrina aconteceram alguns imprevistos. Grande parte do público é de extrema boa paz. Vimos isso na entrada. Mas se uma pessoa entrasse ali e provocasse confusão, certamente iriam falar da falta de segurança. Se não tivéssemos realizado a revista, haveria gente armada lá dentro. Uma arma, sem munição, foi detida na portaria. A discriminação não é contra o grupo ou o público, mas contra pessoas violentas.
Para o ano 2000, Nitis Jacon diz ter engatilhado, por enquanto, um sonho. É uma semente de um festival de todas as artes que está sendo trabalhado em nossa cabeça de forma febril, revela. A proposta é fazer com que a cidade inteira se transforme num grande cenário e que o público vire personagem do espetáculo. A idéia para o próximo ano é interferir na dinâmica urbana e fazer um viés entre todas as formas de expressão artística.
A organização já está trabalhando na captação de recursos para o ano que vem. Em agosto, estará apresentando projetos para órgãos oficiais, leis de incentivo e à iniciativa privada. Atrações também estão sendo contatadas. Nitis Jacon adianta que uma delas é o grupo italiano Potlash, com o espetáculo Cittá Invisible. A montagem, feita depois de algumas visitas ao local, é realizada com base em um projeto de interferência que cria uma cidade invisível. É um projeto caro, mas que há três anos queremos realizar, diz.
A organização entrou em contato, ainda, com o teatrólogo Augusto Boal, que deve vir a Londrina fazer o seu Teatro Legislativo (projeto que elabora sugestões de leis através de discussões e encenações feitas por representantes da comunidade). Também já temos projetos em fotografia, cinema e ecologia. Por enquanto é o que podemos adiantar.
As expectativas para o ano 2000 são muitas. E boas, quanto ao público e à mídia. Mas a nossa expectativa - diante da repercussão na mídia local e nacional - é de que a iniciativa privada tenha a intenção de investir mais, em maior escala, e que os órgãos governamentais compreendam, pelo amor de Deus, que não é de se arriscar que um festival desse acabe. Não dá para voltar a fazer uma festinha doméstica num momento de globalização. Que Deus ilumine as autoridades governamentais.A diretora do Filo, Nitis Jacon, lamenta a falta de apoio governamental este ano e planeja o Festival de Todas as Artes
Josoé de CarvalhoNitis Jacon: A idéia para o ano que vem é interferir na dinâmica urbana através de todas as formas de expressão artística





