Curitiba - E fez-se o silêncio nos domínios da Ordem dos Músicos do Paraná. Desde a semana passada, quando a Ordem dos Músicos do Brasil nomeou uma junta interventora para realizar uma auditoria nas contas da entidade, alguns músicos paranaenses estão com os dedos cruzados: querem ver o que a OMP faz com a quantia arrecadada dos músicos do Estado.
‘‘Acredito e espero que a auditoria e a intervenção sejam para ver as contas da entidade. Se você for até lá (até a sede da Ordem em Curitiba) só encontra uma mesa velha e um bando de funcionários sem fazer nada’’, desabafa o músico Julian Barg, membro da banda Jubah Jabuh e um dos maiores insatisfeitos com a atuação da entidade no Estado.
A suposição de que a crise que paira sobre a Ordem dos Músicos do Paraná seja em função de contas não explicadas ganha força em função do números de ações movidas por músicos para poderem atuar sem a carteira da Ordem. ‘‘Eles cobram uma fortuna por ano (cerca de R$ 160,00) e não apresentam nenhum benefício para nós’’, conta Barg.
Há cerca de um ano, insatisfeitos com a atuação da Ordem, os irmãos Luciano e Fabiano Cordoni pediram ao irmão e advogado Cassiano Cordoni que estudasse uma forma de não precisarem portar a autorização da entidade para tocar pela cidade. ‘‘Depois que eles foram várias vezes autuados por não portarem a carteira da Ordem é que resolvemos achar uma base legal para as exibições, sem os problemas de serem autuados antes dos espetáculos’’, explicou Cassiano.
A ação movida pelo advogado para garantir que os irmãos, membros da dupla ‘‘Os Cordones’’ pudessem tocar foi embasada em um artigo da Constituição de 88 que diz ser livre o exercício da atividade profissional e que o Estado deve interferir o mínimo possível. ‘‘Se o músico realizasse alguma função lesiva à sociedade, precisaria de um órgão controlador, mas o que há de lesivo em tocar, fazer música?’’, argumentou o advogado da família Cordoni.
Com esta linha de pensamento, Cassiano consegui uma liminar que permite aos irmãos tocarem sem o registro na Ordem. E assim como eles, milhares de ações idênticas andam correndo pelos tribunais brasileiros. ‘‘Quando passei e-mail para colegas do resto do País contando recebi muitas respostas. Somente de Porto Alegre recebi 800 respostas com gente interessada em fazer o mesmo’’, contou Barg.
Procurados várias vezes pela reportagem da Folha, tanto o presidente nacional da entidade, Wilson Sandoli, quanto o interventor nomeado, Aramides Eugênio Biazetto, não quiseram dar entrevista. ‘‘Ainda não tenho autorização para falar em entrevistas, somente em março quando devo assumir, depois de a auditoria estar concluída’’, falou Biazetto por telefone.

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