Oprah Winfrey, a mulher do momento nos EUA
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segunda-feira, 05 de outubro de 1998
Guto Barra Planet Pop-AE 
Esqueça Monica Lewinsky e Hillary Clinton: a mulher mais importante do momento nos Estados Unidos é Oprah Winfrey. A apresentadora de TV mais conhecida dos Estados Unidos virou assunto novamente por ter recusado o privilégio de ter a primeira entrevista com Lewinsky depois do escândalo Clinton, alegando que as negociações estavam muito complicadas. Não por acaso, Oprah também está na capa de revistas como a Time e a Vogue para divulgar o lançamento de seu novo filme, o já aclamado pela crítica Beloved.
Oprah disse ao TV Guide norte-americano que a negociação para a entrevista com a ex-estagiária da Casa Branca não foi para frente porque ela se recusou a pagar pela aparição. Mas só o fato de Oprah ter esnobado a ex-estagiária já rendeu bastante. A apresentadora quer manter intacta sua credibilidade: ela acha que pagar por entrevistas pode confundir seu público e associá-la a programas sensacionalistas. A julgar pela fortuna de US$ 550 milhões acumulada nos últimos anos, ela deve saber o que está fazendo.
Independente do escândalo presidencial, Oprah vive o melhor momento de sua carreira. Seu talk-show continua com os mais altos índices de audiência da TV norte-americana durante o dia, com contrato para ficar no ar até o ano 2002; sua produtora, Harpo, vem produzindo uma série de filmes e especiais para a TV, tendo recentemente fechado um contrato com a ABC para seis novos projetos; seu clube literário vem emplacando uma série de obras no topo das listas dos best sellers e agora ela tem chances de repetir o sucesso de sua atuação em A Cor Púrpura, pelo qual foi indicada para o Oscar em 1996.
Beloved é o primeiro trabalho de Oprah no cinema desde o filme de Steven Spielberg. Adaptado do romance da premiada autora Toni Morrison, Beloved conta a história de uma escrava libertada que é acusada de matar uma filha recém-nascida para evitar que ela passasse pelos mesmos sofrimentos que ela. Oprah disse que queria transformar a história em um filme desde que leu pela primeira vez, há mais de dez anos. Depois de tentar por vários anos convencer executivos de Hollywood a bancar o projeto, considerado difícil por muitos, ela conseguiu fazer o filme deslanchar ao envolver o diretor Jonathan Demme, de O Silêncio dos Inocentes.
Talento para realizar tarefas difíceis é o que não falta em Oprah
Winfrey. Depois de uma infância pobre no Mississipi, ela se tornou apresentadora de um telejornal de Baltimore e, alguns anos depois, foi transferida para Chicago, que é hoje a base de seus negócios. Como a rainha dos talk-shows, assistida em média por 15 milhões de pessoas diariamente, ela já ganhou 32 Emmys (o Oscar da TV americana), influenciou uma série de outros programas e entrevistou boa parte das celebridades do País.
Paralelamente, ela virou um símbolo da questão da gordura entre as mulheres americanas. Aconselhada a desistir de suas pretensões no início da carreira por conta do peso acima da média, Oprah se transformou em ícone das gordinhas ao longo dos anos. Logo depois de seu primeiro grande regime, em que perdeu quase 40 quilos, ela apareceu no programa empurrando um carrinho com um barril contendo o peso perdido. Nas últimas semanas, ela reviveu o momento: Oprah anunciou que havia perdido 10 quilos para poder ser fotografada para a capa da Vogue, pelo badalado fotógrado Steven Meisel. Lutei contra meu peso a vida inteira, nunca nem cheguei perto de imaginar que algum dia estaria na capa da Vogue, disse. Ela havia ganhado o peso no tempo que passou no Texas no início do ano, acompanhando um processo que criadores de gado moveram contra ela por conta de um programa que denunciava a doença da vaca louca.
O poder de penetração da apresentadora em seu público é impressionante. O fato de ela ter dito que não ia mais comer hambúrguer por causa da epidemia teria causado uma queda nas vendas de carne (o veredito da corte do Texas, no entanto, foi favorável a ela). No caso dos livros, o impulso não tem precedentes: basta ela transformar um título em seu livro do mês que as vendas disparam. Com Beloved não deve ser diferente: Oprah faz questão de dizer que só se envolveu com o projeto por sentir a necessidade de contar a história dos escravos de uma maneira nova. Por muitos anos falamos sobre o lado físico da escravidão, mas o verdadeiro legado está na coragem e na força daqueles que conseguiram sobreviver, disse.


