Enquanto os reflexos das novas medidas dentro do mercado literário e musical em Londrina ainda são incertos, as apostas são diversas. ''As livrarias preferem vender apenas um livro londrinense, ou quarenta, cinquenta? Acredito que, com uma exposição correta, o número de interessados por obras locais também aumente consideravelmente'', declara o vereador Gérson Araújo, otimista com as possibilidades abertas pela nova lei.
''Com certeza, é uma medida importante. Principalmente, porque facilita para o consumidor a busca de certas obras locais. Acho que ajuda bastante o público interessado'', concorda Maria Márcia Magro, sub-gerente da Livraria Curitiba, loja que já possui uma seção dedicada especialmente para ''Autores Regionais''. Mesmo fugindo ao rigor da regra estabelecida pela nova lei (ver info), a experiência com o espaço tem sido positiva. ''Existem alguns autores londrinenses que vendem mais que outros mas, como regra geral, não existem muitas vendas. É tudo uma questão de organização'', reflete, acrescentando que é importante provilegiar a produção local.
''Nos três anos em que estamos aqui, apenas uma autora londrinense colocou seu livro à disposição para venda'', declara Samaroni Martins, proprietário da livraria Destak. ''Nós deixamos a obra na vitrine, ficou lá por bastante tempo, mas ninguém nunca comprou'', relembra.
Samaroni ressalta que, como a sua livraria é voltada para a literatura infanto-juvenil, o seu público quase não procura por obras literárias de Londrina. ''Para mim, não existe nenhum problema em montar um espaço apenas com autores locais. Mas acho que isso não é o suficiente para vender os livros'', analisa.
Em sua opinião, a nova prateleira é uma ideia ineficiente. ''As obras precisam causar interesse, ter uma divulgação pela mídia, uma propaganda. Se não, vão só acumular poeira'', completa.
Até ontem, nenhuma das livrarias e lojas consultadas pela reportagem da FOLHA haviam sido comunicadas sobre o teor da nova lei, publicada em 1º de março. (R.C.)

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