OPINIÃO Beatles lideram hanking dos melhores
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sexta-feira, 21 de novembro de 2003
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Os Beatles continuam na dianteira. Em mais uma lista de melhores discos de todos os tempos, o quarteto de Liverpool ocupa o pódium com o álbum ''Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band'', lançado em 1967 e título cativo em dezenas de pesquisas semelhantes.
A nova enquete foi divulgada esta semana pela revista norte-americana Rolling Stone, que ouviu 273 críticos, músicos, historiadores e figuras importantes da indústria fonográfica. O levantamento apontou 50 discos. Os Beatles deixam os concorrentes para trás emplacando outros três títulos entre os 10 mais votados: ''Revolver'' (1966) aparece em terceiro lugar, ''Rubber Soul'' (1965) em quinto; e ''The White Album'' (1968) em décimo.
A lista das dez primeiras posições destaca ainda os álbuns ''Pet Sounds'', dos Beach Boys (2º lugar); ''Highway 61 Revisited'', de Bob Dylan (4º lugar); ''What's Going On?'', de Marvin Gaye (6º lugar); ''Exile On Mais Street'', dos Rolling Stones (7º lugar); e ''London Calling'', do The Clash (8º lugar). O disco vencedor foi o oitavo trabalho da carreira de John, Paul, George e Ringo.
É considerado o primeiro álbum conceitual da história. Não no sentido de abordar um tema do começo ao fim, mas no de simular o repertório da tal Banda dos Corações Solitários do Sargento Pimenta. Ali os Beatles misturam psicodelia, música indiana, número circense, vaudeville e cravos renascentistas em arranjos criados pelo produtor George Martin.
Entre as faixas figuram canções hoje clássicas como ''She's Living Home'', ''A Day in the Life'' e ''Lucy in the Sky with Diamonds''. O álbum ficou famoso também pela célebre capa, que trazia uma colagem estampando fotos de sessenta e poucas personalidades, entre elas o escritor Willian Burroughs, a atriz Marilyn Monroe, o filósofo Karl Marx, o ator Marlon Brando, o psicanalista Carl Jung, o mago Aleister Crowley, o poeta Dylan Thomas e o físico Albert Einstein.
Para muitos, ''Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band'' foi o disco que melhor sintetizou a contracultura emergente ao fundir rock, drogas, sexo e mantras. Em março do ano passado, a mesma Rolling Stone divulgou uma lista semelhante de melhores discos, só que elaborada apenas por sua equipe de jornalistas. É curioso notar a diferença de eleitos entre uma e outra.
A pesquisa anterior trazia, por exemplo, o álbum ''White Light / White Heat'' (1968), do Velvet Underground, em primeiro lugar, seguido de ''After Math'' (1966) dos Rolling Stones e ''Live at the Apollo'' (1968) de James Brown. Convém lembrar ainda para salientar as oscilações de preferências e posições a lista publicada no começo desse ano pelo tablóide britânico New Musical Express e encabeçada pelo álbum de estréia da banda The Stones Roses.
Feita por seus jornalistas, ambicionava apontar os 100 melhores álbuns de rock e pop da história. Além de ''Stones Roses'' (1989), a controversa pesquisa surpreendia os leitores mais madurões trazendo ''Doolittle'' (1989) , dos Pixies, em segundo lugar, e ''Marquee Moon'' (1977) , do Television, em quarta posição. ''Pet Sounds'' (1966), dos Beach Boys, despontava em terceiro; e ''Revolver'' (1966), dos Beatles, em quinta colocação.
O Love surgia no sexto posto com ''Forever Changes'' (1967) e os Strokes vinham em sétimo lugar com ''Is This It'' (2001). Os Smiths com ''The Queen is Dead'' (1986), o Velvet Underground com ''The Velvet Underground & Nico'' (1967) e os Sex Pistols com ''Never Mind the Bollocks...'' (1977) completavam a seleção dos dez mais-mais.
Também no começo desse ano, a Q Magazine divulgou uma listinha similar trazendo o álbum ''Ok Computer'', do Radiohead, no topo. Na sequência, vinham ''Revolver'' (Beatles), ''Automatic For The People'' (R.E.M)'', ''Stones Roses'' (The Stones Roses), ''Nevermind'' (Nirvana), ''The Bends'' (Radiohead), ''Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band'' (Beatles), ''What's the Morning Glory?'' (Oasis), ''The Fat of the Land'' (Prodigy) e ''Dark Side of the Moon'' (Pink Floyd).
Como se vê, listas do gênero proliferam. Há dez anos, eram raras. Quando divulgadas, surgiam como ''definitivas'' provocando empolgantes discussões. Hoje em dia, trivializadas, têm pelo menos o mérito de despertar a curiosidade da garotada para vasculhar as velhas coleções dos pais e avôs.


