OPINIÃO - Escritor defende a visão crítica
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sábado, 18 de setembro de 2004
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Em época de eleições, nada mais propício para refletir sobre política através da literatura, ainda mais quando se é escritor e acredita que a educação é a base para mudanças que transformem o Brasil em um país mais justo. Pela segunda vez em Londrina, o escritor carioca Carlos Eduardo Novaes ministrou ontem, no Teatro Marista, a palestra ''Capitalismo, Cidadania e Ética'', promovida pelo Sindicato dos Professores de Estabelecimentos Particulares de Londrina e Norte do Paraná - Sinpro - e Editora Ática. No evento, Novaes defendeu a introdução cada vez maior na sala de aula dessa temática, que ele retoma depois de ter escrito há 20 anos o livro ''Capitalismo para Iniciantes'', que este ano passou a ser adotado como material didático para alunos do 1º ano do ensino médio do Colégio Marista.
''Temos que começar esse trabalho com as crianças e jovens. Existe espaço para isso, muito mais do que com os adultos. Mesmo com os jovens de classe social privilegiada, que vivem cercados de mordomias, o professor sempre pode fazer o papel de meio-de-campo e fomentar uma visão crítica nos alunos. A educação liberta'', afirmou.
Com um discurso bastante politizado á característico na literatura que produz , Novaes disse que acredita em um Brasil ''socializado'' e que isso será um processo natural ao longo dos próximos anos. ''Não falo desses modelos de socialismo que já conhecemos, mas em algo novo, que seja baseado na revolução da educação. Imagina a virada que daríamos se conseguíssemos fazer igual à Coréia, que em dez anos educou a sua população.'', enfatizou.
''É contraditório juntar as idéias de capitalismo e democracia, pois o capitalismo é um sistema de relação e produção que provoca as desigualdades. As pessoas precisam perceber que por trás da pele de cordeiro da democracia, há o lobo do capitalismo'', ressaltou.
Aos 60 anos, Novaes disse que está acostumado a ler nas ''entrelinhas'' das notícias políticas e que está decepcionado com o governo Lula e aponta suas medidas como meta para a constituição de uma ''república assistencialista''. ''É importante que as pessoas tomem consciência das engrenagens políticas, estudem a história da civilização, para que as leis deixem de ser de 'ficção' e que no futuro a gente consiga um país que promova a valorização do ser humano. Por enquanto, não somos protagonistas da própria história; quem faz esse papel é o mercado.''
Sobre cidadania, o escritor falou que no Brasil isso é um privilégio e que na ausência do cumprimento de obrigações do Estado, sobra espaço para a expansão de organizações não governamentais e entidades que buscam a aplicação dos direitos que já estão previstos na Constituição. ''É um esforço brutal que não seria necessário se o Estado cumprisse o seu papel'', comentou.
Novaes é Presidente da Sociedade Brasileira de Autores e Vice-Presidente da Federação Internacional de Autores Dramáticos. Além disso, escreve roteiros para a TV Globo e foi secretário de Cultura do Rio de Janeiro.


