Operadora investe US$ 8 milhões para trazer novo navio de cruzeiros
São Paulo - O empresário Guilherme Paulus, dono da CVC Turismo, fez uma de suas apostas mais arrojadas ao fretar um navio de cruzeiro para uso exclusivo da companhia pelos próximos cinco anos. Isso foi possível graças a um acordo com a européia Pullmantur, empresa que freta navios para viagens na Europa.
Construído na França em 2000, o R-5 Blue Dream (Sonho Azul) ficará no Brasil durante 88 dias por ano e levará até 750 passageiros para viagens ao longo da costa. O investimento será de US$ 8 milhões, sendo US$ 2 milhões em publicidade. A CVC vai continuar a vender pacotes turísticos em cruzeiros marítimos nos navios Costa e Funchal. Em 2002, ela transportou 10 mil turistas por navio. Na temporada 2003/2004, com o R-5, pretende aumentar esse número para 18 mil turistas.
O Blue Dream faz parte de uma linha de oito embarcações espalhadas pelo mundo. Durante o verão no Hemisfério Norte, ele vai transportar passageiros que saem da Itália a vão para a Grécia. A partir de novembro, baixa temporada na Europa, ele ficaria parado para manutenção. É justamente nessa época, de dezembro a março, que a CVC vai fretá-lo para atrair especialmente os turistas do Sudeste que viajam para o Litoral do Nordeste.
''O navio será o mais novo e moderno em funcionamento na costa brasileira; isto é uma novidade, já que as seis embarcações que vêm para cá foram fabricadas entre 1961 e 1992'', diz Paulus. O empresário esperou três anos para a oportunidade. Ele pretende trazer mais navios a partir de 2005, quando espera ter o retorno do investimento.
Fundada há 31 anos e atualmente a maior operadora nacional de turismo, a CVC tem uma gestão ágil, que lhe permite mudar o foco quando o mercado exige, diversificando os serviços. Os serviços internacionais chegaram a responder por 70% do faturamento da empresa há nove anos. Hoje, embora mantenha escritórios em Miami (EUA) e na Argentina , o setor internacional responde por apenas 5% da sua receita e a CVC mantém o foco no turista brasileiro.
Neste primeiro semestre, a companhia atraiu turistas ''órfãos'' da falência da Soletur e da Stella Barros. ''Transportamos 15% a mais de passageiros no primeiro semestre, em relação ao ano passado, em parte por causa do desaparecimento das outras empresas'', diz Paulus. Segundo ele, a CVC deve crescer 20% este ano, chegando a transportar 700 mil passageiros.
Embora pese 30 mil toneladas, o navio tem calado baixo, de 5,6 metros, o que lhe permite atracar em todos os portos do País, que têm águas pouco profundas. Das 349 cabines do navio, 92% têm vista para o mar e 72% têm varanda. A embarcação tem quatro restaurantes, spa, cassino e sala de internet.
Dos 373 tripulantes (dois para cada passageiro), 80 são brasileiros e todos falam espanhol. Os serviços, segundo Paulus, foram ''tropicalizados'': foi contratado um chef brasileiro e os horários de refeições serão alterados para se adequar aos hábitos tupiniquins. Prova de que o empresário mantém o foco no público-alvo, formado por famílias e casais de classe média.
A primeira viagem do Blue Dream será no dia 14 de fevereiro, mas as vendas dos pacotes começaram no início de agosto.





