A força do amor e as leis inflexíveis do destino. Os dois elementos se encontram e um deles será o vencedor. Assim acontece na ópera ‘‘Orfeu e Euridice’’, de C. W. Gluck, que o Centro Cultural Teatro Guaíra, a Secretaria Estadual da Cultura e a Schola Cantorum Basiliensis, da Suíça, estão produzindo em conjunto. Estréia dia 26, no Guairão, encerrando o 2ºFestival Internacional de Música Antiga e Tradição Oral.
Conhecida mundialmente pelo rigor com que seleciona seus alunos, a Schola Cantorum atua em co-produções com diversos países. Esta será a primeira vez que isso ocorre no Brasil. Outro fato inédito é a encenação - até então tinha sido levada em forma de concerto.
O trabalho está sendo realizado com um ‘‘orçamento mágico’’ de R$ 130 mil, segundo Flávio Stein, um dos diretores artísticos do festival. O patrocínio veio da Copel, através da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
A escola suíça mandou para Curitiba parte do elenco e da equipe de criação (o diretor Carlos Harmuch, curitibano, há 12 anos residindo na Basiléia e professor na Cantorum, e o cenógrafo e figurinista Hansjorg Studer). As confecções ficaram por conta do Teatro Guaíra. Haverá participação da Orquestra Sinfônica do Paraná, com regência do maestro Osvaldo Colarusso.
Contratenor‘‘Orfeu e Eurídice’’, criada em 1762, é uma ópera de importância capital no gênero. Gluck escreveu-a dando um basta ao descaminho que a música tinha tomado na Idade Média. Imperava entre público e artistas a moda do virtuosismo - as peças eram criadas para enaltecer a capacidade vocal dos intérpretes. Não havia preocupação do espetáculo como um todo.
Gluck faz com que haja um retorno ao entendimento do enredo, e a forma que dá ao trabalho virá a influenciar tudo que venha a ser feito a partir de então. Não foi uma atitude isolada do compositor; a ópera faz parte da corrente filosófica do Renascimento, e começa aí uma nova história.
Porém, ao longo dos anos, as interferências modificaram alguns papéis de ‘‘Orfeu e Eurídice’’. Convencionou-se colocar mulheres para fazer o papel de Orfeu, devido à dificuldade em se encontrar contratenores com a tessitura vocal desejada. Os mezzosopranos ocuparam a vez, mas há uma tendência mundial de voltar-se às origens, embora ainda seja muito raro um espetáculo dentro dessa concepção.
Dois contratenores viverão o amante, nos dois elencos do espetáculo: um com solistas de várias nacionalidades e outro com solistas brasileiros. O espanhol Carlos Mena e o argentino Martin Oro, vieram sob os auspícios da Schola Cantorum.
InfernoA ópera tem três atos, mas na direção de Carlos Harmuch ela será apresentada em duas partes. Narra a paixão de Orfeu que, no dia de seu casamento com a bela Euridice, vê a amada morrer vítima de uma serpente. Seu desespero comove os deuses, que permitem ao jovem ir buscá-la no além. Para isso terá que atravessar o inferno.
Dono de voz belíssima, Orfeu aplaca o inferno com seu canto, e chega até onde está a moça. Porém, ele deve obedecer ao juramento feito aos deuses de não olhá-la, nem se dirigir a ela para poder resgatá-la das trevas da morte. Euridice instiga-o de tal modo que ele se volta e põe tudo a perder.
Vale destacar o trabalho de Marta Nejm, atual diretora do Ballet Teatro Guaíra, que assina as coreografias do espetáculo. O BTG tem participação ativa na montagem, mas não entra como complemento à obra. Sua presença em cena é tão vital quanto os cantores. ‘‘Orfeu e Euridice’’ terá sessões, além do dia 26, também dias 28, 30 e 1ºde novembro.

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