Uma ópera da juventude do compositor italiano Antonio Vivaldi, ‘‘La Verita in Cimento’’, cuja ação se passa em um Oriente caricato, foi resgatada do esquecimento e será apresentada em um teatro de Brest (oeste da França), no próximo dia 11.
A obra vai ser montada pela primeira vez desde sua criação em Veneza, em 1720, afirma os grupos que realizarão a encenação, o Arcal, dirigido por Christian Gangneron, e o Ensemble Matheus, dirigido por Jean-Christophe Spinosi.
O conjunto Gangneron-Spinosi explica sua escolha pela peça ‘‘tanto por sua qualidade musical e teatral, quanto pela importância histórica da ópera’’. Segundo os dois diretores, ‘‘La Verita in Cimento’’ marca o apogeu das óperas da juventude de Vivaldi e encarna seu ideal musical e dramático, um termo médio entre a audácia de seus primeiros ensaios venezianos dos anos 1710 e sua grande maturidade vinte anos depois.
O compositor voltava, na época, a Veneza, depois de três anos de ausência. Pela segunda vez trabalhou em colaboração com seu compatriota, o libretista Giovanni Palazzi, que misturou drama e humor e deu vida aos três personagens principais, donos de um fino perfil psicológico.
A intriga deste ‘‘dramma per musica’’ se situa em um ambiente de exotismo deliberadamente fantasioso: a inspiração é corneliana, mas tratada à maneira veneziana. Na época, a obra ‘‘renovou uma linguagem dramática que se asfixiava e rompeu com a temática severa que estava em voga então, nos teatros patrícios’’, indicam Gangneron e Spinosi.
A partitura de Vivaldi para os instrumentos e para as vozes é igualmente audaz para a época, com cordas reforçadas por outros instrumentos e árias nas quais se combinam virtuosismo e patetismo.
Depois de Brest, a ópera de Vivaldi será apresentada nos próximos três meses em uma série de teatros da região de Paris e em várias outras cidades francesas, como Tours, Vichy, Reims e Nantes.

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