Ópera em versão camerística
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terça-feira, 17 de julho de 2012
Nelson Sato <br>Reportagem Local 
Uma mulher abandonada pelo amante busca, desesperadamente, reconquistá-lo pelo telefone. Ele irá se casar com outra no dia seguinte, ela tenta convencê-lo a voltar atrás. O diálogo, que dura cerca de 50 minutos, é na verdade o monólogo da peça ''A Voz Humana'', do escritor francês Jean Cocteau (1889-1963), adaptado para canto lírico pelo compositor Francis Paulenc (1899-1963).
A ópera estreou em Paris em 1959. Uma versão camerística da obra será apresentada hoje pela soprano catarinense Kalinka Damiani em companhia do pianista Luiz Claudio Barros dentro da programação artística do 32º Festival de Música de Londrina. O espetáculo de um único Ato começa às 20h30 no Teatro Crystal Palace e tem duração de cerca de 50 minutos.
No ano passado, Kalinka participou de uma montagem desta mesma ópera, mas acompanhada pelo pianista Carlos Harmuch, que também dirigiu o espetáculo. É dela a única voz em cena, que sugere o que o homem está falando. A ligação é interrompida algumas vezes intensificando a agonia entre linhas cruzadas.
A ambientação intimista aproxima o espectador da fragilidade da personagem cuja interpretação oscila entre a angústia da perda, a nostalgia pelos momentos vividos durante o relacionamento e a esperança de uma improvável reconciliação. A música pontua todo o drama da separação. O canto é executado em francês, com legendas em português.
''A Voz Humana'' foi a terceira e última ópera de Paulenc. A história inspirou diversas releituras, como o filme ''O Amor'', de Roberto Rosselini, com a atriz Anna Magnani. Kalinka é graduada em Música pela Universidade do Estado de Santa Catarina, onde atualmente é professora dos cursos de Música e Artes Cênicas.
Aperfeiçoou-se com a soprano e professora Neyde Thomas. Estreou em 1999 na ópera ''Elisir d''Amore'' no papel de Adina, no Teatro Guaíra, em Curitiba. De lá para cá, protagonizou grandes títulos de óperas no Brasil e no exterior, como ''La Traviata'', ''Die Zauberflöte'', ''I Capuleti'', ''I Montecchi'', ''La Serva Padrona'', ''Il Guarany'', ''Rigoletto'', ''O Empresário'', ''O Rapto do Serralho'', ''Giulio Cesare'', ''L Enfant et le Sortileges'', ''Viúva Alegre'', ''O Barbeiro de Seviglia'' e recentemente ''Lucia di Lammermoor''.
Também fez o papel principal na estreia mundial da ópera ''Zaira'', de Bernardo José de Souza Queiroz, primeira ópera composta em solo brasileiro (em 1809). Ao longo da carreira recebeu diversos prêmios: melhor soprano leggero no IV Concurso Maria Callas; 1º lugar e troféu ABAL de melhor intérprete de Carlos Gomes no Concurso Carlos Gomes; 1º Prêmio La Traviata no Concurso Aldo Baldin; 1º lugar no Concurso Bianca Bianchi e Melhor Intérprete de Mozart e grande prêmio do público no V Concurso Maria Callas.
O pianista Luis Cláudio Barros, por sua vez, possui Bacharelado em Piano pela Escola de Música do Espírito Santo sob a orientação da pianista Célia Ottoni. Desde 2000 é professor do Departamento de Música da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Estudou na Eastman School of Music, em Nova York (EUA), onde concluiu o Mestrado em Piano (Performance and Literature) na classe da renomada pianista Nelita True.
Em 2008 terminou o Doutorado em Música na área de Práticas Interpretativas (Piano) na UFRGS, tendo como orientadores artísticos os pianistas Ney Fialkow e Catarina Domenici. Em 2006 e 2007 realizou o Estágio de Doutorado na Universidade de Connecticut (EUA) sob a co-orientação do Dr. Roger Chaffin, tendo trabalhado no Laboratório de Performance e Psicologia da Música.
Conquistou vários prêmios em concursos nacionais de piano, destacando seis primeiros lugares em competições nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Distrito Federal e Paraná, além do segundo lugar e do Prêmio ''Preferência do Público'' no Concurso Sul-Americano seletivo ao Gina Bachauer International Piano Competition.


