Ópera abre espaço ao circo
O ator Marcos Frota quando criança fascinou-se com o mundo do circo. Cresceu, tornou-se ator conhecido das grandes platéias e aos 33 anos transformou em realidade um sonho nascido naquele instante de encantamento circense. Foi assim que surgiu, há dez anos, o Grande Circo Popular do Brasil, que abre hoje oficialmente o 8º Festival de Teatro de Curitiba, no teatro Ópera de Arame.
Marcos Frota veio à cidade acompanhar os trabalhos de montagem do Grande Circo. O moço, às vésperas de ser pai mais uma vez - sua mulher Carolina Dickman está no oitavo mês de gravidez - tomou a empreitada curitibana como um desafio. Ele propôs aos organizadores dez apresentações. Serão nove - Sublime, como se chama o espetáculo, terá uma única sessão hoje, mas nas quatro noites seguintes, poderá ser visto às 19 horas e 21h30.
Estou me preparando como uma cantora lírica que vai estrear no Ópera de Paris, comparou, para deixar clara a importância que dá a esta temporada. Afinal, disse ele, o FTC é o mais importante festival do País. Será um delírio ver seus artistas - que ele foi buscar nos lugares mais disparatados do Brasil - sendo aplaudidos noite após noite sob a abóbada da Ópera de Arame. O motivo de sua presença aqui é clara: celebrar o circo.
Kraw PenasMarcos Frota diz que Sublime fortalece o astral: é o Cebion, o Targifor, o suco de laranjaMarcos Frota evita qualquer conversa que passe pela decadência do gênero. Prefere dizer que o Brasil é o País com maior número de lonas em todo o mundo. Mesmo assim, admite, o circo perdeu seu poder de fogo, enquanto na Europa está no nível da ópera. O público enverga traje passeio para assistir às funções.
Onde estaria a diferença dos artistas nacionais com os europeus? Na ginga, responde o ator. A técnica é a mesma, mas a embocadura é brasileira. O meu bailarino não precisa fazer ponta de pé. Pode ser gordo, afirma. A alegria é a marca que está na alma desta nação, e Sublime tem justamente a finalidade e o dom de trabalhar com isto. A platéia irá rir muito, garante ele, senão perde-se um pouco o objetivo circense.
Em tempos bicudos como os que estamos vivendo agora, o circo contribui com sua porção de magia para fortalecer o astral: Ele é o Cebion, o Targifor, o suco de laranja.
Mais de 100 artistas estão envolvidos na montagem, que adaptou o formato para o palco do teatro. Os trapezistas, porém, estarão cruzando os ares sobre a platéia. Haverá participações especiais do corpo de baile do Teatro Guaíra, da Orquestra do Conservatório de Música Popular Brasileira de Curitiba e dos Brincantes do Maracatu de Baque Solti Piaba de Ouro, do Mestre Salustiano de Pernambuco.
Será o maior sucesso deste festival, anuncia Marcos Frota, sobre os Brincantes do Maracatu. Sem figurinos, cenários ou ensaios, o grupo formado por homens e mulheres nordestinos - o mais jovem tem 50 anos - incendeia o público. Não dá para explicar, só vendo.
No espetáculo dirigido por Wladimir Capella encontram-se velhos e jovens, na saudável mistura do novo e do velho, da escola mais tradicional aos experimentalismos atuais. Uma particular alegria de Marcos, porém, será a oportunidade de rezar a Ave-Maria. Devoto da santa, nunca pôde fazer a oração porque os diretores a excluíam do roteiro. É a maneira que encontrou para agradecer por tudo e pedir por tudo: o olhar celestial sobre essa gente que modifica emoções, a cada noite, sob paredes e céus de lona.DivulgaçãoCena de Sublime: espetáculo mistura o circo tradicional com fórmulas experimentalistasZeca Corrêa Leite





