Ópera à brasileira
O III Festival Amazonas de Ópera, que começa na terça-feira em Manaus, irá contar com a presença de grandes nomes do canto lírico, com destaque para a participação de Eliane Coelho, considerada a melhor cantora brasileira do gênero. Duas paranaenses dividem o palco com estes grandes nomes: Laura Santos Bartoli e Solange Siquerolli.
Em entrevista concedida à Folha2 por telefone Laura contou que foi convidada a participar do evento pelo diretor musical e regente do festival, maestro Luiz Fernando Malheiro. Ela faz parte do elenco da ópera Madame Butterfly, de Puccini, onde interpreta a criada Suzuki.
Em três atos, a ópera conta a história de uma japonesa de 15 anos, Butterfly, que se apaixona por um marinheiro americano, tem um filho e é abandonada. A criada Suzuki a consola durante todo o tempo em que Butterfly fica esperando que seu amado volte.
A apresentação de Madame Butterfly acontece nos dias 30 de abril e 3 de maio. Laura considera muito importante a realização dos festivais de ópera de Manaus para a formação de um público consumidor de músicas do gênero. O público de ópera no Brasil ainda precisa ser formado e estes festivais colaboram para que isso ocorra, avalia.
ReproduçãoO Teatro Amazonas, inaugurado em 1896, é uma réplica da Ópera de Paris capaz de abrigar grandes eventos como este que começa na próxima terça-feiraNatural de Paranaguá (PR), Laura começou a estudar canto em Curitiba em 1987 com o intuito de se aperfeiçoar porque participava do coral da Igreja presbiteriana. Eu achava ópera horrível, não entendia, lembra. Ao entrar em contato e começar a conhecer o gênero, encantou-se.
Estreou em Don Giovanni, de Mozart, em 1989. Em seguida ganhou bolsa de estudos e passou quatro anos na Inglaterra onde participou de diversos espetáculos. Esteve na França e Alemanha participando também de concertos de orquestras. Voltou ao Brasil em 1993 já apaixonada pela ópera. Atualmente mora em São Paulo onde participa de vários espetáculos no Teatro Municipal.
A ópera é uma linguagem cinematográfica do teatro. É muito envolvente, afirma. Uma vez que o público aprende a conhecer, passa a gostar. Uma tendência atual, a de colocar letreiros nas apresentações, segundo a cantora lírica, irá facilitar o acompanhamento da história, tornando ainda mais prazeroso assistir ao espetáculo. Não sei se o festival de Manaus terá letreiro, mas esta tendência ajuda o público a entender melhor a ópera, afirma.
Laura Bartoli destaca ainda que a realização destes festivais contribui para abrir mercado para o artista nacional. É a primeira vez que este festival contará com óperas onde o elenco é totalmente formado por brasileiros, inclusive por artistas de Manaus, afirma.
Outra novidade é que, também pela primeira vez, será confeccionado um cenário próprio para o Teatro Amazonas, onde será realizado o evento. Normalmente os cenários são importados, e para este festival tudo será confeccionado por artistas locais, afirma.
O III Festival Amazonas de Ópera, com direção-geral de Cleber Papa e direção musical e regência de Luiz Fernando Malheiro, contará com um concerto, dois recitais e três óperas. Destaque para Madame Butterfly, de Puccini, e LElixir DAmore, de Donizetti, que conta com outra paranaense: Solange Siquerolli.
Um espetáculo gratuito irá incrementar ainda mais o evento. Trata-se da apresentação de uma ária de ópera ao ar livre, no anfiteatro Ponta Negra, às margens do Rio Negro. Dentre as novidades desta edição, se destaca o fato de que o evento será realizado no Teatro Amazonas, que há 80 anos não apresentava uma ópera.
Este teatro é considerado um dos mais suntuosos do Brasil. A apresentação da Companhia Lírica Italiana marcou sua inauguração em 31 de dezembro de 1896.
Sua construção foi financiada pela elite do século 19. Recentemente o Teatro Amazonas foi restaurado e a fachada original em tom rosa - ela tinha sido pintada nas cores azul e cinza - foi recuperada. A decoração interna foi feita pelo artista Crispim do Amaral.ReproduçãoSolange Siquerolli: paranaense dividirá o palco com grandes nomes do canto lírico em ManausÉrika Pelegrino





