Os alunos da Escola de Música da Filarmônica Antoninense recebem gratuitamente o uniforme, 90% do material didático e têm os instrumentos da banda à disposição para estudo. Mas além da música, a Escola visa a formação dos alunos em sua totalidade. ''Se dá muito valor aqui à formação da pessoa. A gente estimula muito e cobra muito. Se a gente souber extrair o melhor que cada um tem, você vai crescer'', ressalta o presidente da Filarmônica, José Carlos Couto.
A carga horária do curso inclui aulas diárias de teoria musical, aula instrumental uma vez por semana, sessões de estudo do instrumento três vezes por semana, além dos ensaios às segundas, quartas e sextas-feiras, para os integrantes da banda e da orquestra.
Formado na Escola, o professor Almir França de Oliveira, de 30 anos, começou a estudar ali aos 10 anos. ''Eu era criança quando fui assistir à retreta na praça. Fiquei batendo com uma varinha no bebedouro em frente ao coreto e estava atrapalhando a apresentação. O maestro parou o concerto e disse: 'se quiser aprender música, entra para a Filarmônica''', diverte-se Oliveira. Aos 21 anos, o músico antoninense já era regente na Banda Municipal de Blumenau, onde morou por 11 anos. Voltou a Antonina no início de 2008. ''A Escola tem um trabalho social, é uma opção para melhorar de vida'', avalia Oliveira.
Integrante da banda e da Filarmônica Orquestra Show, Franciele Fary de Lima, de 18 anos, também não sabe que profissão seguiria caso a cidade não tivesse a Escola de Música. ''Não consigo ver a minha vida sem a Filarmônica. Aprendi a conviver em grupo, a aceitar as diferenças entre as pessoas. Quando não tem atividade não consigo ficar sem fazer música. O dia que não faço música, meu dia fica triste'', conta a saxofonista.
Segundo a clarinetista Neidiele Corrêa Pereira de Oliveira, de 27 anos, a maioria dos colegas que se formam na Escola saem da cidade para tentar emprego em outros grupos musicais. ''A banda daqui é muito reconhecida fora. Em Itajaí, quando falei que vim da banda de Antonina, não precisei nem fazer teste, já entrei direto'', conta. Para o professor Graciliano Zambonin, o valor artístico da música é o que mais atrai esses jovens. ''Quando vêem o resultado, isso faz com eles queiram aquilo'', afirma. (D.R.)

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