Ondulações sob a superfície
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 08 de setembro de 2015
Marcos Roman e Adriana Ito<br>Reportagem Local 
As palavras de João Anzanello Carrascoza causam terremotos. Em seus contos e romances, o autor oculta sob situações aparentemente corriqueiras algumas falhas tectônicas que passam despercebidas até que a história termina e, sem saber como nem por quê, desencadeiam um tremor interno no nosso modo de ver e sentir o mundo.
O escritor consegue destacar as pontas que tornam as relações mais humanas. Como se as manchas na superfície do coração se organizassem formando uma imagem caleidoscópica e a gente conclui, consternado, que a beleza do sentimento está no alinhamento das feridas que a memória proporciona.
Vencedor do Prêmio Jabuti em 2006 por "O Volume do Silêncio", o contista é a grande atração de hoje do 11º Festival Literário de Londrina Londrix, cuja programação traz ainda debates, perfomance poética e peça teatral com artistas de vários estilos e regiões do Brasil.
Às 19 horas, Carrascoza comanda o bate-papo "O coração das Histórias", com mediação do dramaturgo e escritor londrinense Maurício Arruda Mendonça. Entre os temas abordados está o processo de criação de Carrascoza e os componentes íntimos da escrita que estabelecem cumplicidade com o leitor.
Com mais de 40 livros no currículo, entre contos e romances publicados no Brasil e no exterior, o autor despontou no mercado literário na década de 1990 e desde então se tornou uma referência, principalmente entre o público jovem e universitário.
OUTRAS ATRAÇÕES
A agenda do Londrix será aberta às 10 horas, com um bate-papo do escritor londrinense Herman Schmitz com alunos do Colégio Estadual Marcelino Champagnat. Às 15 horas, na Vila Cultural Cemitério de Automóveis, haverá apresentação do musical "Bichos, Cores e Outros Amores". O espetáculo é encenado por 15 integrantes do Projeto Música Criança, desenvolvido pelo Departamento de Música e Teatro da Universidade Estadual de Londrina (UEL), desde 2007. O repertório é formado por 11 canções do compositor e diretor musical Mário Loureiro sobre poemas de Carlos Francovig. A direção cênica é assinada por Silvio Ribeiro.
Projeto que integra o Londrix há quatro anos com o objetivo de criar um ambiente de diálogo e reflexão crítica entre autores e o público, o Café das Letras recebe, às 16 horas, a escritora Telma Maciel. Doutora em Letras pela Unesp, a convidada falará sobre o livro "Posta-restante - Um estudo sobre a correspondência do escritor João Antônio" (EditoraUnesp, 2014). A obra analisa parte da correspondência do contista João Antônio (1937-1996), especificamente um conjunto de cartas trocadas entre o autor paulistano e o amigo e colaborador Jácomo Mandatto entre os anos de 1962 e 1995.
O jornalista Osmani Costa também participa dos Café das Letras falando sobre o livro "Televisão e Política" (Eduel, 2015). A obra reconstitui, analisa e interpreta as relações políticas e ideológicas estabelecidas entre empresários de comunicação e o Executivo nacional na maioria intermediada pelo Palácio Iguaçu que resultaram em concessões para a implantação e funcionamento de 12 emissoras e de três redes regionais de TV no Paraná, de 1954 a 1985.
Um debate sobre como a palavra pode refletir as tensões e as levezas do ser humano reunirá, às 20 horas, no Centro Cultural Sesi/AML a escritora carioca Ana Paula Maia e a londrinense Samantha Abreu.
Também às 20 horas, na Vila Cultural Cemitério de Automóveis, a poetisa, cronista e contista cuiabana Luciene Carvalho encena a perfomance "Festa de Mulher", seguida de um bate-papo com o público. Primeira mulher a integrar a Academia Mato-grossense de Letras, eleita imortal no mês passado, ela traz para o Londrix o lirismo sensorial de uma mulher que traduz a cuiabania. As ruas, as memórias, as cores e os cheiros mato-grossenses são representados na letra e na voz de uma poeta sensível ao mundo e aos conflitos existenciais.
A agenda do dia será encerrada com a encenação da peça teatral "Ovo". O espetáculo da Agon Teatro conta a história dos irmãos Édipo e Electra. Poético e metafórico, o espetáculo é ambientado num antigo galinheiro, onde os irmãos brincavam na infância, subentendendo alegorias relativas ao ciclo da vida.



