Os monstros de Maurice Sendak se parecem aos horrores da Segunda Guerra Mundial ou à história do garoto Lindbergh, de Nova Jersey, sequestrado do berço e encontrado morto em 1932, fatos que marcaram a infância do escritor no Brooklyn, em Nova York.
''Hoje em dia é o 11 de setembro e praticamente qualquer história do jornal diário,'' diz o autor e ilustrador sobre a inspiração para ''Onde Vivem os Monstros'', que ganha tradução no Brasil, pela Cosac Naify, 46 anos depois da primeira edição.
''A não ficção sempre vai ser importante, mas não supera uma boa história fictícia. As pessoas querem e precisam de fantasia,'' diz Sendak.
Se, por um lado, o filho de imigrantes judeus poloneses une passado e presente para mostrar que o tema dos monstros não é privilégio seu, mas vem das ansiedades do inconsciente coletivo, por outro lado, se pergunta com inocência: ''Mas não são todas as crianças que têm medo deles?''.
Aos 81 anos, Sendak acumula grandes prêmios da literatura, como o National Book Award e o Hans Christian Andersen, considerado o Nobel da literatura infantil. Foi ''Onde Vivem os Monstros'' que o consagrou de vez, em 1963.
''Escolhi o título ''Where the Wild Horses Are' (onde vivem os cavalos selvagens, em tradução livre), antes de perceber que não sabia desenhar cavalos. Então, me decidi por ''coisas' e as baseei em minhas tias e tios, o que não é muito simpático, mas é a verdade,'' diz o autor sobre o título ''Onde vivem os monstros'', (''Where the Wild Things Are'', em inglês).
''Continuo sem saber como o livro tem atraído as crianças. Sinto-me feliz e grato, mas não entendo.'' E no que deu certo ele não mexe. Nesse sentido, acompanhou a produção da edição brasileira de casa, em Connecticut, opinando até na escolha do papel.
Autor de diversos projetos visuais, como figurinos e cenários para ópera e teatro, Sendak também participou da adaptação do livro para o cinema. O filme estreou nos EUA no mês passado e deve chegar ao Brasil em janeiro.
''Sinceramente, não mudaria nada,'' diz sobre o longa nada óbvio de Spike Jonze, que segue de perto os personagens com a câmera, explorando suas fobias e desconfianças, e tem trilha de Karen O, vocalista dos Yeah Yeah Yeahs.

Serviço
- Onde vivem os monstros
Autor - Maurice Sendak
Tradução - Heloisa Jahn
Editora - Cosac Naify
Quanto - R$ 49 (40 págs.)

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