Assim que descobre que vai ser pai pela primeira vez, o jornalista americano Morgan Spurlock começa a se perguntar em que tipo de mundo vai criar seu rebento. O questionamento é natural, não tem pai ou mãe de primeira viagem que não pense nisso. O caso é que o bebê aparece logo em seguida do ataque às Torres Gêmeas que mergulhou os Estados Unidos num pânico generalizado contra o terrorismo. E no caso deles, o terrorismo tem um rosto e um nome: Osama Bin Laden. É nesse contexto que Spurlock se lança em uma empreitada surreal: ele resolve sair pelo mundo em busca do chefão do terror. O livro 'Onde está Osama Bin Laden?' é o relato da viagem, que também rendeu um documentário.
Para quem não se lembra, essa não é a primeira aventura radical de M. Em um outro documentário, Super Size Me, feito em 2004, ele serviu de cobaia para uma experiência inusitada. Passou um mês comendo só os itens do cardápio do McDonald's. Engordou 7 quilos, teve problemas com colesterol e provou o que todo mundo já sabia: dieta de fast food é um suicídio.
A busca por Bin Laden leva o jornalista por uma peregrinação que tem como pano de fundo o terrorismo. Ele não quer só encontrar o líder da Al Qaeda, quer entendê-lo. Para isso, ele vai passando por todos os lugares onde Bin Laden já esteve ou poderia estar. E nessa viagem, ele vai entrevistando líderes diplomáticos, ex-terroristas, gente do povo. Aos poucos, Spurlock vai montando um gigantesco quebra-cabeças que tem muito mais perguntas do que respostas.
Apesar de não esconder suas opiniões e convicções, o escritor consegue manter a mente aberta e ser honesto na hora de registrar as opiniões alheias. No Egito, Marrocos, Palestina e Israel, por exemplo, Spurlock só ouve críticas ao governo americano. Mesmo sendo obviamente pró-Israel, ele se confessa perplexo e indignado diante dos campos de refugiados palestinos e do muro que separa famílias e amigos ao longo do território da Cisjordânia.
Mais do que encontrar Bin Laden, Spurlock quer saber por que as nações se levantam umas contras as outras; por que os homens-bomba explodem escolas e igrejas; por que duas etnias diferentes precisam se matar por um pedaço de terra.
Tentando enxergar uma luz no fim desse túnel tão escuro, Spurlock vai até a Irlanda (um lugar bem improvável para encontrar Bin Laden) para contar como o Sin Fein, o braço político do Ira, conseguiu costurar um acordo de paz e depor as armas depois de anos de uma guerra que jogou irmão contra irmão. O tempo todo ele mantém uma réstia de esperança no bom senso, na democracia e na humanidade. Quase como se os terroristas não fizessem parte dessa humanidade. Pudera, o homem está prestes a ser pai. É compreensível que ele precise preservar essa esperança. No entanto, esse é exatamente o problema do livro.
O trabalho jornalístico de Spurlock é muito interessante. Ele escreve de forma simples, e bem-humorada, tentando tornar o assunto menos pesado. E ainda dá uma aula de história contemporânea e política internacional. Enquanto está fazendo perguntas, ele é ótimo mas quando começa a sugerir respostas, ele não consegue convencer nem a si mesmo. Que o terrorismo é muito maior do que Bin Laden, todo mundo concorda. Difícil é acreditar que algum dia o mesmo ser humano que criou o terror será capaz de construir um mundo de paz, só com discursos, conversas e acordos. Mais fácil é encontrar Osama Bin Laden.

SERVIÇO
- Onde está Osama Bin Laden?
Autor - Morgan Spurlock
Editora - Intrínseca
Páginas - 352
Quanto - 39,90

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