A paisagem não é de praia. Em vez do mar, há fontes de águas sulfurosa e radioativa. No lugar da areia, muita lama. Para tratamentos medicinais e estéticos, claro. Assim é o Tropical Grande Hotel e Termas de Araxá, em Minas Gerais.
O grande do nome, aliás, é modéstia. O que não falta por lá é luxo e suntuosidade na arquitetura de seus 33 mil metros quadrados, nos detalhes dos 283 quartos ou nos 400 mil metros quadrados de jardins, projetados por Burle Marx. Para se ter uma idéia, já do avião é possível avistar toda a sua imponência em meio ao Complexo do Barreiro, com termas e outros hotéis. A distância de cinco quilômetros do centro da cidade garante sossego sem que se perca o melhor da região: doces e termas.
Depois de um período de decadência após a década de 60 e vários anos fechado, o hotel passou por seis meses de restauração, e desde dezembro vem recuperando o prestígio das décadas de 40 e 50, o auge de sua magnificência, quando figuras como Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek se hospedaram lá.
Para sentir o glamour basta entrar no hotel mas nunca sem antes se surpreender com o suntuoso edifício em estilo missões, que mais parece um palacete. No hall, o enorme pé direito e a visão do salão de inverno deixam qualquer um boquiaberto.
Ainda no térreo, aconchegantes espreguiçadeiras distribuídas ao longo dos amplos corredores convidam ao descanso. A seus pés, mármore de Carrara. No teto, lustres de cristais da Boêmia e nas paredes enormes janelas com cristais franceses bisotados. Um luxo só, como não poderia deixar de ser.
Além dos nove restaurantes incluindo um infantil e o Chez Beja, para quem aprecia a comida francesa, que só funciona com reservas , o térreo abriga 20 saguões, todos espaçosos e com nomes de cidades mineiras. No Congonhas, fica a biblioteca, com livros e revistas nacionais; no Ouro Preto, boate e sala de eventos; e o Minas Gerais é reservado para as grandes festas. Tem ainda salão de jogos e o cine-teatro, além do elegante Scotch Bar.
O espanto (ou encanto) não acaba por aí. Se estiver a fim de ar puro e caminhada entre árvores floridas é só abrir qualquer porta da parte de trás do hotel. De cara, você verá muito verde e um grande lago. Antes de chegar até ele, porém, você será tentado a ficar nas três piscinas de água mineral.
No lago pode-se andar de pedalinho entre patos ou cruzar a ponte e ficar bem no meio, na pequena Ilha dos Amores, que dizem ser perfeita para um luau ou para namorar.
Caminhando mais um pouco, chega-se à Fonte Dona Beja. É hora de matar a sede e purificar o organismo com a suave água mineral que sai da parede de rochas vulcânicas. Com gosto agradável, é um bom diurético e ótima para diabéticos. Bom lembrar de pôr o maiô por baixo antes da ronda pelos jardins porque no prédio na frente da fonte ficam 12 duchas-cascatas, excelentes para a pele e os músculos.
Ainda no Complexo do Barreiro sobre uma bacia vulcânica chega-se às quadras de tênis e poliesportivas, onde não se paga para jogar uma partida. Você ainda pode alugar bicicletas e cavalos. Quem quiser ir mais longe pode fazer a trilha até as ruínas do Hotel Rádio, que hospedou por várias vezes Santos Dumont.
Pertinho do hotel, fica outra fonte, a Andrade Júnior. Sua água sulfurosa tem ação sedativa. É emoliente, antiinflamatória, analgésica, antialérgica e ajuda no tratamento de problemas digestivos e doenças de pele. Isso só para citar alguns dos benefícios dos corajosos bebedores. Pois, com o cheiro e o gosto de ovo podre pelo excesso de enxofre fica difícil se convencer de que um copinho possa fazer tão bem. O esforço parece valer a pena, pois você não encontrará ninguém em Araxá que não confirme as propriedades. No mesmo prédio, há uma exposição de fósseis de animais pré-históricos encontrados nas escavações para a construção do hotel.
O fim do dia é o único momento em que você sentirá vontade de ir para o quarto que, mesmo aconchegante e chique, perde um pouco o brilho frente aos atrativos.
O triste, além da partida, é que ficar no Tropical de Araxá é ferir, em parte, o nome da cidade. De origem tupi-guarani, Araxá significa ''lugar alto de onde primeiro se avista o sol''. Só que, após o bem-bom, você dormirá tanto que com certeza só verá o astro-rei quando ele estiver bem alto no céu.

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