A televisão é prioridade na carreira de Marcos Pasquim. Longe dos estúdios desde o fim de ‘‘Morde & Assopra’’, do ano passado, ele acaba de recusar um trabalho no cinema para integrar o elenco de ‘‘Cheias de Charme’’. ‘‘Faz parte do meu ofício. Além de ter um contrato com a Globo e respeitar isso, fiquei feliz em ser convidado pela Denise Saraceni’’, valoriza o ator, referindo-se à diretora de núcleo da atual novela das sete.
  Na trama de Izabel de Oliveira e Filipe Miguez, Pasquim será o surfista Gilson, ex-marido de Ligya, personagem de Malu Galli, e pai de Samuel, interpretado por Miguel Roncato. ‘‘A volta dele surpreende a ex. Mas pelo pouco que sei, esse retorno vai mexer mais com a vida do filho – que ele não conhecia – e da Penha. O Gilson vai ter um romance com ela’’, adianta, sobre o envolvimento de seu personagem com a ‘‘empreguete’’ encarnada por Taís Araújo.
  A entrada de Gilson em ‘‘Cheias de Charme’’ está prevista para acontecer a partir do capítulo 70 e o personagem deve ficar até o final da trama, em setembro. Ansioso para voltar a gravar, Pasquim já está no processo de composição e pesquisando sobre o universo do surfe. ‘‘É curioso! Adoro praticar esportes, mas o surfe não me atrai. Até tentei aprender, mas não dei muito certo. Não sou muito bom com esportes aquáticos’’, assume o ator, que tem péssimas lembranças das poucas vezes que tentou pegar onda. ‘‘Meu irmão é surfista e me deu alguns toques. Mas logo na primeira onda eu quase morri. Levei um caldo e vi que não era para mim’’, conta, aos risos.
  Bem longe do mar e imaginando a estética do personagem, Pasquim já começou a deixar o cabelo crescer. ‘‘A equipe de caracterização ainda não me deu muitos detalhes. Na dúvida, prefiro deixar o cabelo grande. Aí eles cortam como quiserem’’, entrega o ator de 42 anos. Além da preparação para o novo papel, Pasquim já quer entrar no clima da novela. Por isso, não perde um capítulo de ‘‘Cheias de Charme’’. ‘‘Gosto muito da novela. Achei interessante como eles usaram a internet para promover a história. O videoclipe das Empreguetes já tem mais de oito milhões de acessos. Foi um exemplo de interação com o público. Nunca tinha visto isso’’, elogia.
  Natural de São Paulo, Pasquim estreou na televisão com um pequeno papel em ‘‘Cara & Coroa’’, de 1995. Sem contrato longo com a Globo, ele fez novelas na extinta Manchete e no SBT, até que retornou à emissora com um personagem de destaque em ‘‘Uga-Uga’’, de 2000, um dos sucessos criados por Carlos Lombardi às sete da noite. Aliás, esta faixa horária é a mais recorrente na carreira do ator – contando com ‘‘Cheias de Charme’’, esta é sua nona novela às 19h –, que acumulou papéis importantes em ‘‘Kubanakan’’, ‘‘Bang Bang’’ e ‘‘Pé na Jaca’’, todas assinadas por Lombardi. ‘‘Somos muito amigos. Ele me deu a oportunidade de mostrar o meu trabalho. Entre tantas coisas dele que fiz, a que mais gosto é a minissérie ‘O Quinto dos Infernos’’’, confessa, referindo-se à produção de caráter histórico exibida em 2000, em que deu vida a Dom Pedro I.
  As inúmeras sequências sem camisa escritas por Lombardi nesses trabalhos, levaram Pasquim a integrar o famoso ‘‘hall’’ dos atores ‘‘descamisados’’ do autor, em que também figuram Humberto Martins e Marcelo Novaes. ‘‘É quase uma marca registrada do Lombardi. São papéis que marcaram a minha carreira e dos quais me orgulho muito’’, ressalta, sem ressalvas.
  No entanto, Pasquim assume que tem tentado variar cada vez mais os autores com que trabalha – como Walcyr Carrasco e Miguel Falabella –, e consequentemente, os tipos que interpreta. ‘‘O fato de ‘Cheias de Charme’ ser uma novela de autores estreantes me empolgou. Achei coerente com a minha vontade de experimentar outras coisas na tev꒒, analisa.

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