Os dirigentes governamentais de turismo de 118 países, reunidos em Seul, mostraram-se tranquilizadores 15 dias depois dos atentados que dissuadiram numerosos planos de viagem em escala planetária, mas muitos prevêem uma reorientação maciça para os deslocamentos de proximidade.
O secretário do Ministério de Turismo da Índia, Amitabh Kant, declarou-se convencido de que os ataques terroristas nos Estados Unidos terão um ''impacto imenso'' em sua alta temporada, de outubro a fevereiro. Os cancelamentos rondam 35% até dezembro e há poucas reservas novas, disse durante a assembléia geral da Organização Mundial do Turismo (OMT).
''A cada dia, são suprimidos vôos diretos para a Índia, a partir da Europa e Estados Unidos'', afirmou Kant. ''É uma ocasião para dar um grande impulso ao turismo interno e regional'', preconizou, destacando que 20 milhões de indianos já viajam pelo interior de seu imenso país.
A Tailândia, que dispunha de duas agências de promoção turística nos Estados Unidos, uma delas no World Trade Center, concentrará seus investimentos publicitários dos próximos meses no continente asiático. ''Vamos insistir também no aspecto pacifista de nosso país, majoritariamente budista'', assinalou Paisan Wangsai, dirigente do turismo tailandês.
As rotas que foram muitas vezes afetadas por ataques terroristas, como Sri Lanka ou Turquia, se mostram serenas. Depois dos atentados dos separatistas tamis no final de julho, o Sri Lanka registrou 54% de cancelamentos para os dois meses seguintes.
Mas as reservas para o inverno (boreal) estão mantidas, assegurou Renton de Alwis, presidente da agência cingalesa de turismo. ''As pessoas têm pouca memória e os invernos na Europa são uma incitação a viagem'', explicou.
Embora a cidade de Istambul tenha registrado 20% de cancelamentos, principalmente de turistas norte-americanos, as férias no resto da Turquia serão ''pouco afetadas'', estimou por sua parte Nedret Koruyan, secretário geral da Associação de investidores do turismo turco.
No Caribe, a República Dominicana acabava de conseguir pela primeira vez em 15 anos atrair mais turistas norte-americanos (53%) do que europeus. Apesar do cancelamento de 25% das reservas até dezembro, não mudam os projetos de investimento na ilha, insistiu Julio Morales, assessor do secretário de Estado de Turismo dominicano.
A Alemanha, o maior emissor europeu de viagens, não que fazer previsões prematuras, mas a tendência parece ser ''de espera'', explicou Helmut Krueger, responsável pela política turística no Ministério de Economia.
''Estamos em uma situação de adiamentos'', assinalou por sua parte o diretor do Turismo francês, Bruno Fareniaux. No Canadá, a população deve ser igualmente mais caseira: foram intensificadas as excursões a locais próximos, o que é fantástico para a temporada de esqui, previu Roger Wheelock, vice-presidente da Comissão de Turismo canadense.

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