OMB tem nova diretoria no Estado
Curitiba O evento ''Os Charlatões'' parece ter surgido num momento muito propício para a música paranaense. Vários acontecimentos aproximaram-se, como algumas notas esparsas que foram se juntando e formando acordes de uma melodia que está começando. Paralelamente aos debates sobre organização e mercado musical no Estado, aconteceu a eleição da nova diretoria da Ordem dos Músicos do Brasil, na regional Paraná.
A Ordem estava sob intervenção desde o início do ano no Estado e no dia 7 assumiu a nova diretoria, comandada pelos músicos Aramides Eugênio Biazetto, o ''Carbureto'' e Ivan Graciano, filho da dupla Belarmino e Gabriela. Os dois comandaram a ''rebelião'' contra os desmandos da diretoria da OMB no Estado e agora serão os responsáveis por uma nova fase da entidade, sempre muito criticada pelos próprios músicos.
O primeiro ato público da nova diretoria deverá ser uma reunião para receber formalmente as principais reivindicações da categoria. Isto acontecerá durante a realização do 1º Espaço da Música Paranaense, marcada para os dias 17 e 18 de agosto, no Canal da Música, em Curitiba. Na oportunidade, a nova direção da OMB, composta por 21 membros, também apresentará ao público as propostas para uma nova administração.
A mobilização dos músicos de Curitiba, reunidos nos ''Charlatões'' chamou a atenção de radialistas e de universidades locais que prometeram se engajar na luta pela construção de um mercado mais profissional. As universidades devem promover cursos de extensão ligados à música de uma forma geral. Programadores de rádios prometem incluir mais músicas e músicos locais nas programações normais das rádios.
A mídia em geral foi duramente criticada no encontro. Primeiro por não abrir espaço para a cultura local que seria sempre preterida pelo que vem de fora. Depois, pelo desinteresse em manter programas e projetos especiais com a produção local. Também por não prestigiar os profissionais que faziam reportagens e críticas sobre a música paranaense.
''Neste ano houve uma incrível demissão em massa de jornalistas que prestigiavam a cultura local nos cadernos culturais dos jornais do Paraná'', queixou-se Manoel de Souza Neto. ''Isso aconteceu justamente no momento em que nossa cultura local está em ebulição, mostrando a insensibilidade dos veículos do Estado'', completou.
Por outro lado, o evento contabiliza também uma série de apoios que vem recebendo. O maior, é da própria direção do Sesc no Paraná que se mostrou bastante receptiva e já se prontificou a transformar o encontro em anual e itinerante. O Sesc também deve promover um festival de música paranaense para novembro. ''Não será um festival competitivo, mas uma mostra do que é feito no Estado, em vários gêneros'', explica Manoel de Souza Neto.





