Oliver Stone, o diretor da hora
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quarta-feira, 24 de setembro de 1997
Guto Barra Planet Pop-AE Nova York 
ReproduçãoOliver Stone: atacado impiedosamente no livro da produtora
Jane HamsherOliver Stone volta a ser o centro das atenções em Hollywood nos próximos meses. O diretor de filmes como Assassinos por Natureza, Nixon e JFK causa polêmica mais uma vez com um novo filme, um livro de fantasias eróticas e o escândalo de um livro não-autorizado que revela sua personalidade difícil. É o retorno do cineasta que mais gosta de viver como as celebridades que participam de seus filmes.
Em outubro estréia sua nova produção, U-Turn, um filme que custou apenas US$ 16 milhões, com Sean Penn e Jennifer Lopez nos papéis principais. Rodado durante 40 dias no deserto do Arizona em clima de filme B, conta a história de um jogador de pôquer que resolve ir para Las Vegas acertar suas dívidas. No caminho, ele vai se metendo em confusões: se envolve com garotas para criar problemas com seus namorados, vira alvo de um mafioso russo e, claro, perde todo o dinheiro que serviria para o pagamento da dívida.
Cheio de cenas de violência e inspirado em produções vagabundas dos anos 70, U-Turn vem sendo considerado o Pulp Fiction de Stone. O filme foi rodado com câmeras antigas e um tipo de película que produz cores exageradas, quase technicolor. A direção de fotografia, a cargo de Robert Richardson - que já trabalhou em dez filmes com o diretor -, é árida, mas despretensiosa. U-Turn era para ser um filme pequeno, mas ao longo do processo fui percebendo que era impossível mantê-lo assim, a expectativa das pessoas é muito grande, diz Stone. Difícil manter o low-profile: o elenco conta também com a participação de Billy Bob Thornton e Nick Nolte e a trilha sonora foi composta por Ennio Morricone.
Planos Stone diz que ficou um ano e meio descansando do estresse que passou ao fazer Nixon. Nesse meio tempo, ele continuou garantindo seu lugar entre os mais poderosos nomes da indústria cinematográfica: ganhou sua estrela na calçada da fama de Hollywood (localizada ao lado da de Alfred Hitchcock, a pedido de Stone), produziu O Povo Contra Larry Flynt e veio estudando a possibilidade de desenvolver diversos projetos, entre eles uma nova versão de O Tesouro de Sierra Madre, de John Huston, e dois filmes com Tom Cruise, a continuação de Missão Impossível e Alexandre, o Grande. Preciso chegar à conclusão de quantos filmes eu ainda vou conseguir fazer na minha vida para poder escolher qual será o próximo, diz. Quantos será que ainda consigo realizar, dez? Seis?
Fora das telas, Stone aproveitou também o espaço entre os filmes para terminar o livro A Childs Night Dream (Editora Saint Martins Press), que ele havia escrito aos 19 anos. O volume vem causando polêmica por trazer contos eróticos e fantasias de um adolescente com sua mãe. O mais intrigante é que o personagem e a mãe dele têm o mesmo nome de Stone e sua mãe na vida real. O livro descreve em linguagem quente os banhos da jovem senhora em banheiros de Paris. De acordo com o jornal nova-iorquino New York Post, Jacqueline Stone leu e aprovou o livro do filho, mas resolveu sair dos Estados Unidos na semana de lançamento para não ser incomodada pela imprensa. Ele decidiu tirar algumas semanas de férias em uma escondida praia do Mediterrâneo.
Jogos O outro livro sobre o diretor que acaba de chegar ao mercado, por sua vez, não deve estar deixando a família muito feliz. Killer Instinct foi escrito pela produtora Jane Hamsher, que trabalhou com Stone em Assassinos por Natureza, que ela descreve como uma sucessão de bebedeiras, festas regadas a drogas, traições e confusões. Ela vem sendo considerada uma das mais corajosas profissionais de Hollywood dos últimos tempos por retratar Stone e Quentin Tarantino (autor do roteiro de Assassinos), como os mais cruéis, babacas, ambiciosos e baixos nomes do cinema norte-americano.
Jane descreve situações em que Stone é reduzido a um diretor que adora fazer jogos psicológicos com as pessoas a sua volta. Em apenas duas semanas ele transformou o roteirista Dave Veloz em um psicopata incapaz de fazer qualquer coisa correta em sua vida novamente, diz a autora. Ela descreve Tarantino como um diretor de um truque só, descrevendo uma patética aparição do diretor no festival de cinema de Sundance, em 1992, em que todos os agentes gargalhavam por qualquer bobagem que ele falava. Ficava imaginando qual o efeito daquilo em um garoto suburbano que nunca havia ganhado muita atenção porque nunca havia feito nada que prestasse. Mesmo com todo o barulho que o livro vem fazendo e apesar de todos os esforços de Stone para tentar acabar com a carreira de Jane, ela tem diversas produções em andamento no momento.


