Olinda ainda é um roteiro imperdível
Célia Baroni
Sem eira nem beira, todo mundo sabe, é um termo que identifica uma pessoa que não possui nada, nem moradia. Mas poucos conhecem a sua origem. Caminhando pelas ladeiras de Olinda (Recife-PE), observando os telhados das casas, o mistério se desfaz. Todos têm eira - nome dado à renda formada pela finalização das telhas do telhado simples. Outros telhados têm eira e beira, uma segunda renda colocada logo abaixo da eira. E alguns poucos têm até tribeira, uma terceira renda colocada abaixo da beira.
Tradição (família), Nobreza e Dinheiro. Está aí a tradução da eira, beira e tribeira. Na época do Brasil Colônia era possível distinguir a posição social da família pelo telhado da casa. Considerada por alguns como o berço da cultura brasileira, Olinda foi tombada pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade, e tem muito para mostrar e ensinar.
Mirante de Recife, palco do artesanato, poesia e cultura. Olinda vestida de festa. Olinda de reza, no bordado de suas igrejas; rica de artesanato e cultura popular. Olinda nos sobe e desce em suas ladeiras, pintadas nos casarios, irregular e cheia de descobertas em suas ruelas estreitas de pedras.
Tudo resumido no olhar de quem observa do mirante da Catedral da Sé, igreja principal a quem todas as outras 41 igrejas da cidade reverenciam voltando as fachadas em sua direção. O mar azul e verde, os arrecifes e o horizonte sem fim reforçam a imponência singela dessa cidade cheia de uma paz alegre que nem os prédios e agitos de Recife, distantes apenas 6 quilômetros, conseguem alterar.
Diz a crença popular que ao entrar em uma igreja nunca visitada a pessoa tem direito a fazer e ter realizados três desejos, o que, multiplicado pelo número de igrejas de Olinda, daria 123 pedidos. Dá ou não dá para ter a esperança de realizar todos os seus sonhos? Antes de ir até lá prepare uma lista de pedidos e não esqueça de incluir voltar para aquelas praias e mares.
Dentro das igrejas uma descoberta atrás da outra leva o turista a uma série de artes sacras em estilo rococó - barroco brasileiro -, um mais bonito que o outro. Fotografar dentro das igrejas, só sem flash. A luminosidade prejudica as obras de arte.
Muitas igrejas ainda lutam contra o desgaste do tempo, depredação e resquícios do incêndio provocado pelos holandeses. Quando perderam a batalha para os portugueses, eles incendiaram a cidade. Mas o governo estadual e municipal têm investido na recuperação do patrimônio histórico. Quando a restauração é impossível, a exemplo dos murais em ladrilhos portugueses que muitas igrejas têm, as partes destruídas são apenas recobertas por cimento, quase como um símbolo de luto pela perda de parte da obra.
Tudo isto ainda não basta para justificar uma visita a Olinda? Então considere a beleza natural da região, a criatividade e alegria de seu povo. Inverno ou verão, a temperatura agradável, raramente fica abaixo dos 25 graus. As ruas estão coalhadas de lojas de artesanato, fazendo do passeio pela cidade algo inesquecível. Em cada esquina uma profusão de trabalhos como pinturas, esculturas, estamparia e cerâmica retratam as belezas da cidade, suas cores e cultura.





