OLHOS NAS LETRAS - Sexta-feira é dia de Parada Literária
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segunda-feira, 05 de maio de 2008
Caroline Vicentini<br> Reportagem Local 
O sinal toca e os alunos e funcionários já sabem: é hora de paralisar as atividades para se transportar a outras épocas e mundos, adquirir novo vocabulário, informar-se sobre os acontecimentos, enriquecer culturalmente. Na última sexta-feira do mês, todos os alunos e funcionários da Escola Educativa de Londrina interrompem o que estão fazendo por 15 minutos para ter um momento de dedicação exclusiva à leitura. Segundo a coordenadora pedagógica Michelle Brambilla, a Parada Literária surgiu para complementar, de maneira inusitada e divertida, o projeto literário desenvolvido pela escola, que inclui atividadades de incentivo à leitura em todas as séries. ''A Parada já era realizada esporadicamente, mas agora é norma: toda última sexta-feira do mês a atividade será realizada em dois turnos: às 7h45 e às 14h. Se alguém ligar para a escola durante a Parada ouvirá uma mensagem avisando que, naquele momento, não será possível atender pois todos estão ocupados com a literatura'', explica.
De acordo com Michelle, as leituras podem ser pré-estabelecidas pelos professores, ou é possível o aluno recorrer a algo que estiver na bolsa naquele momento. Após a leitura, incentiva-se a troca de materiais entre os colegas. Também vale emprestar um livro na biblioteca, ler uma revista que está sobre o balcão da recepção ou o jornal do dia. ''Buscamos tornar a leitura um hábito prazeroso mas os alunos nunca tinham a possibilidade de ver os educadores (exemplos e estimuladores desta atividade) lendo. O aluno não gosta de ler enquanto não ler o que gosta'', defende.
Em círculo, ao ar livre, crianças do pré ouviam atentamente a história contada pela professora. Interessadas, elas respondiam às perguntas, descreviam as ilustrações e pediam, em coro, que a ''tia contasse mais uma história''. Nicolas Teodoro, cinco anos, afirma que ouvia a história ''de um lado e do outro lado''. ''Gosto de imaginar os detalhes do que a professora conta'', comenta.
Também ao ar livre, espalhados pelos bancos, os alunos da 2 série concentravam-se em um outro tipo de leitura: recortes de matérias de jornais e revistas. Lucas Mahnic Padovani Ramos, sete anos, lia uma matéria de jornal sobre um campeonato local de motocross. Beatriz Gardin Machado, oito anos, informava-se sobre a alimentação saudável através de um artigo de revista. ''A Parada é interessante porque tenho acesso a outros tipos de leituras. Gosto principalmente de ler os quadrinhos do Maurício de Souza'', confessa. Segundo a professora Cláudia Vecque, após a leitura ocorre a discussão dos textos. ''A leitura é a base para a formação de pessoas críticas e reflexivas'', argumenta.
Todos os alunos de uma sala da 5 série liam a FOLHA. O objetivo era trabalhar as matérias propostas no programa FOLHA CIDADANIA (parceria entre a FOLHA, o setor privado, entidades sociais e secretarias municipais de Educação, cujo objetivo é utilizar o jornal como suporte pedagógico e técnico para estimular a leitura entre os jovens). Bruna Rodrigues Balieiro, 10 anos, gosta de acompanhar as notícias esportivas no jornal, mas quando o assunto é gosto literário a preferência é por livros de meninas, ''daqueles que têm várias coleções'', explica. Entre os favoritos estão ''Agenda de Carol'' e ''De menina para menina''.
Gustavo Henrique Medeiros, 12 anos, fã confesso de ficção científica, já perdeu as contas do número de livros sobre os quais se debruçou. ''Tenho o hábito de ler desde os sete anos. Ler é importante porque aprendo muito sobre vários coisas. Com as histórias de ficção tenho a oportunidade de 'viajar' ainda mais'', comenta. No momento da Parada Literária a secretária Cristiane Cardoso deu um tempo na agenda dos alunos para abrir uma revista, sua leitura preferida. ''Tento interromper as atividades em pelos uma das paradas. No início os funcionários se preocuparam um pouco em parar o que faziam, mas estamos levando a sério. Percebo como as atividades de fato incentivam a leitura. As crianças também propõem este momento aos pais'', observa.
Projeto de Literatura
Já está mais do que provado que a leitura é um excelente exercício, pois a atividade reforça as conexões entre os neurônios. Além do desenvolvimento neural, a leitura é umas das vias no processo de construção do conhecimento, como fonte de informação e formação cultural. Segundo a diretora educacional da Escola Educativa, Eliane Nápole, a capacidade de interpretação e leitura crítica são competências cada vez mais exigidas dos profissionais. ''É fundamental que a pessoa seja autodidata. A leitura é uma porta para a aquisição de novos conhecimentos. Sabe-se também que a atividade é uma forma de prazer, e deve se tornar um hábito e não um peso. Ler nos proporciona viagens a outros países, enriquecimento cultural'', enfatiza.
E como leitura é hábito, o ideal é que seja adquirido desde a infância. Conforme a coordenadora pedagógica Michelle Bambrilla o projeto pedagógico da Escola Educativa envolve todas as faixas etárias (370 alunos do maternal a 8 série) com atividades diferenciadas. Segundo Michelle, na Educação Infantil as professoras contam histórias todos os dias aos alunos. As turmas também participam da Hora do Conto, que acontece na biblioteca uma vez por semana. ''Desde os quatro anos os alunos podem retirar livros na biblioteca'', afirma. No Ensino Fundamental I e II as turmas lêem livros paradidáticos selecionados pelos professores. Este ano todas as turmas de 1 a 4 séries adotaram um mesmo livro sobre os 100 anos da imigração japonesa para o Brasil.
Os alunos também são incentivados a fazer a leitura diária de uma matéria de jornal ou revista, coluna na internet, poema, história de gibi ou até mesmo um livro de poucas páginas e fazer um fichamento do material, todos os dias. Segundo Michelle, as fichas devem vir sempre assinadas pelos pais. ''O apoio à leitura também ocorre por meio da premiação aos alunos que mais fazem empréstimos de exemplares na biblioteca e concursos de produção de texto.''


