Muitos livros já contaram a história da região. A coleção ''Crônicas de Londrina'' registra a memória recente da cidade pelo viés literário.
O pioneiro George Craig Smith, os meninos que jogavam pelada na rua Maranhão, o casarão erguido por Celso Garcia Cid, o velho Ludovico Surjus e o mestre do tanka Minoru Nakagawara são alguns dos personagens que o jornalista João Arruda resgata nas páginas do livro ''No Coração do Repórter''.
O livro será lançado hoje em Londrina com coquetel às 20 horas na Biblioteca Pública. É o sétimo volume da coleção ''Crônicas de Londrina'', publicada pela Secretaria Municipal de Cultura em parceria com a Imprensa Oficial do Paraná, com patrocínio da Sercomtel.
Já saíram títulos de Jota Oliveira, Edson Vicente, Nelson Capucho, Apolo Theodoro, Lélio César e Paulo Briguet. A coletânea de Arruda traz 25 crônicas publicadas ao longo dos anos 80 e 90 nos jornais Folha de Londrina, Paraná Norte, Paraná Shimbum e na revista Informe e Ação.
Dessa produção, uma boa parcela veio à tona durante um período de renovação editorial e gráfica experimentada pela Folha sob o comando do então editor e hoje secretário de cultura Bernardo Pelegrini. ''Ele incentivou os jornalistas a sair do noticiário do dia-a-dia e escrever crônicas. Foi um momento rico e bastante produtivo'' conta o autor.
Arruda observa que personagens e situações retratados literariamente no volume apareceram antes nos jornais nas formas de reportagens ou entrevistas. Por isso, salienta ele, os textos revelam os ''olhos do cronista e a alma do repórter''. A seleção do que entraria no livro ficou a cargo do escritor Domingos Pelegrini, editor da coleção. Arruda fez uma garimpagem prévia introduzindo pequenas modificações nos textos.
''A intenção era situar o leitor no tempo e no espaço. Mas não queria reescrever com os olhos de hoje'' explica. A abordagem foi estimulada pela informação de que uma parte da tiragem do livro será distribuída para as escolas. ''No aspecto educacional, é interessante preservar os olhos de época'' afirma. A publicação empolgou o autor, que agora pensa em reunir reportagens feitas ao longo dos quase trinta anos de carreira de jornalista.
''Quando me convidaram para fazer parte da coleção, já estava com essa idéia na cabeça. Eles me anteciparam, mas estou motivado para uma nova empreitada'' diz. Contrariando os apocalípticos de plantão, Arruda acredita que a crônica vive um bom momento na imprensa brasileira. Para ele, o gênero conquistou um espaço nos jornais em meio ao noticiário do dia-a-dia. ''Ainda não é o desejável, mas é possível encontrar textos autorais por aí. Se não fossem os jornais, talvez não teríamos essa fornada de livros saindo em Londrina'' completa.
O autor começou a carreira de jornalista em 1975, aos 15 anos, no jornal ''Viver Londrina''. No ano seguinte veio para a ''Folha de Londrina'', onde trabalhou como repórter. Em 85 foi correspondente da revista ''Veja'' em Belém (PA). Em 1986 voltou para Londrina e ocupou várias funções na ''Folha'', da pauta à chefia de reportagem e, a partir de 98, a diretoria de Redação do jornal.
No final do ano 2000 João Arruda deixou a ''Folha de Londrina'' e montou uma editora, que publicou o semanário ''Mais''. Há um ano, é diretor de Redação do jornal ''Tribuna do Norte'', com sede em Apucarana. Ele trabalhou também como colaborador dos jornais ''O Globo'' e ''O Estado de S. Paulo'' e é um dos fundadores do Sindicato dos Jornalistas de Londrina. Hoje, durante o coquetel de lançamento, seu livro estará à venda a R$ 10,00.

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