Olhares de viés no espelho da vida
DivulgaçãoTrabalho de Liz Szczepanski que estará exposto a partir de hoje no Museu Alfredo AndersenOlhares de viés
no espelho da vida
Zeca Corrêa Leite
Um olhar de viés ao espelho, quando se levanta. No quarto ainda imerso nos sonos da noite, na penumbra das cortinas cerradas, repete-se o gesto mecânico de se olhar a vida, essa coisa do de vez em quando. A artista plástica Liz Szczepanski tomou essa rápida passagem do reflexo como origem de Significâncias Bissextas,exposição que abre no Museu Alfredo Andersen.
Depois de se ligar na rápida imagem, Liz preparou-se para o trabalho: durante algum tempo deixou papel kraft no caminho, pronto para receber as primeiras impressões do seu rosto visto de esguelha. Os ligeiros traços matutinos eram trabalhados à noite, com tintas nas cores branca, amarela, preta e vermelha. Cores xamânicas, como observou mais tarde a artista.
Trinta e quatro fisionomias com as marcas de cada dia, surgiram dessa fase, sendo que os últimos oito desenhos não trazem o colorido mais alegre. Ficou apenas no branco e preto. Talvez eu tenha interiorizado o clima curitibano, esse cinza que nos rodeia. O material estará compondo um primeiro espaço, batizado por Liz de Reflexos Cotidianos.
No segundo espaço - Amor e Ódio -, o público apreciará 77 fotografias acondicionadas em lentes de óculos; um tapete de feltro bordado com alfinetes de cabeça, e um vídeo biográfico, intitulado Segmentos Desiguais.
O terceiro espaço - a propriedade privada, onde tomo posse, como diz a artista - chama-se Paisagem Virtual. Ali haverá uma instalação com grama natural e desenhos reproduzindo pássaros; objetos em escultura, cerâmica, ferro, e uma trama feita de fios de seda.
Liz Szczepanski amealha todas essas representações para dizer que a vida é assim, feita de coisas doces e agressivas. Pela sua leitura viver é enfrentar muito mais alfinetes do que caminhar sobre feltros. O olhar feito de perigo e dramaticidade, pode muito bem ser substituido por outro - basta ter os alfinetes como esculturas menos agresssivas.
A artista não se importa com interpretações contrárias - pelo contrário. O espaço é para que cada um se situe como melhor lhe aprouver, diz. A exposição encerra em si um discurso da vida, e suas coisas bissextas. Cuidadosa, Liz levou um espelho ao museu para todos os olhares.
Significâncias Bissextas, exposição de Liz Szczepanski no Museu Alfredo Andersen. Abre hoje e encerra dia 10 de julho. Amanhã (dia 11), às 15 horas, haverá encontro e monitoria com a artista.





