Arranha-céus, taxis amarelos, uma banda de jazz tocando na rua, uma garota filipina lendo um livro na ponte do Brooklin, um judeu ortodoxo assistindo a uma partida esportiva, uma senhora russa abraçando seu cachorro no Central Park. Quem poderia imaginar que fotos feitas por mero lazer durante uma viagem de família à cidade de Nova York renderiam uma exposição fotográfica?
Isso só aconteceu porque os fotógrafos são Julio Covello (57 anos de idade, 30 de fotografia) e seu filho Brunno Covello (24 anos, fotógrafo há 7), dois profissionais renomados na área. Eles estão em cartaz no restaurante Beto Batata Original, em Curitiba, com a exposição ''Eu fotografo NY'', com 40 imagens captadas entre abril e maio deste ano, selecionadas pelo amigo e fotógrafo Alberto Viana.
''Quando você menos espera algum retorno, as coisas acontecem. Viajamos para nos divertir e realizar um sonho antigo de família, nem pensamos em exposição'', comenta Brunno. ''Até que uma vez eu estava mostrando fotos da viagem para o Beto Batata, sem compromisso. Ele gostou e se interessou em financiar toda a exposição'', lembra Julio.
Com uma extensa variedade de cores e ângulos, a metrópole foi registrada através das lentes do pai e do filho, enfocando arquitetura, costumes, diversidade cultural e outros tantos elementos que fazem parte do seu dia-a-dia. ''É uma cidade impressionante. Tem de tudo e parece que foi feita para ser fotografada'', observa Brunno. ''Nem precisa procurar os motivos, eles acabam te procurando'', completa Julio.
São muitas as histórias por trás das imagens. Julio comenta a foto de uma senhora abraçando seu cachorro, feita por seu filho. ''Ela era extrovertida à beça. Estava numa cadeira de rodas. Revelou que era uma cantora russa com vários CDs lançados e até falava português. De repente começou a dizer vários palavrões na nossa língua'', lembra. Outra que chama atenção é o retrato de uma noiva posando na cobertura do Rockfeller Building. ''Nós estávamos no térreo quando a vimos subir. Demorei um tempo, mas consegui chegar até ela para fotografar'', relata.
Mas nem sempre as coisas foram calmas. Brunno lembra de um registro que terminou frustrado. ''Fui tentar tirar uma foto de um ex-marine (fuzileiro naval) que hoje é homeless (sem teto). Ele colocou a mão na minha frente gritando 'Nunca tire foto de um marine sem pedir''', lembra Brunno.
Os olhares do pai e do filho são perceptíveis na exposição. Enquanto Brunno se dedicou mais a imagens de pessoas, Julio preferiu dar ênfase à estrutura da cidade. ''Eu prefiro fotos mais tranquilas, buscar ângulos, grafismos, urbanismos'', explica Julio. ''Meu pai tem um olhar mais maduro. Eu sou jovem, com mais energia'', comenta o filho, que voltou de New York com mais fotos que o pai.
A hereditariedade da fotografia não começou com estas duas gerações. Julio lembra que seu pai também era fotógrafo. ''Aprendi muito com ele. Uma vez, ele ganhou uma câmera em um concurso, e mais tarde a deu para mim. Como eu já trabalhava em um jornal, como diagramador, comecei a sair com a reportagem para fazer fotos, e assim comecei'', relata.
Julio retribuiu o legado, iniciando o filho Brunno. ''Quando eu era mais novo, não tinha interesse em fotos. Só comecei quando entrei na faculdade. Naquela época meu pai me deu uma câmera Nikon FM2 e três lentes, só pra brincar. Aí eu comecei a me interessar realmente''.

Serviço -
- Eu Fotografo NY
Quando - Até 02 de dezembro, do meio-dia à meia-noite
Onde - Beto Batata Original (Rua Professor Brandão, 678), em Curitiba

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