Antes que o voyerismo típico da época do Carnaval tomasse conta da tevê, a Globo resolveu atrair os observadores de plantão com o ‘‘Big Brother Brasil’’. A emissora estréia a produção já no próximo dia 29 com a clara intenção de pegar no contrapé a segunda edição do ‘‘Casa dos Artistas’’, que o SBT está preparando. A se considerar o valor pedido para a publicidade durante programa – serão quatro cotas de R$ 4,8 milhões cada –, a Globo aposta no sucesso absoluto da produção. E não está sozinha. Duas grandes empresas já estariam interessadas: uma do setor de bebidas e outra do mercado financeiro.
O programa será gravado em uma casa de 2,3 mil metros quadrados construída no Projac e conta com 38 câmaras, 68 microfones escondidos e 12 de lapela. O equipamento vai monitorar cada movimento e sussurro dos 12 participantes 24 horas por dia. Os eleitos, seis homens e seis mulheres, foram selecionados entre quase 500 mil inscritos em todo o Brasil.
O primeiro processo de seleção aprovou 1,2 mil concorrentes e, em seguida, apenas 100 ficaram como finalistas. Segundo Luiz Alberto Py, um dos psicanalistas responsáveis pela seleção dos inscritos, a Globo não chegou a traçar um perfil para os escolhidos. ‘‘Não podíamos colocar 12 pessoas iguais. Antes de tudo, as pessoas teriam de ser bastante diferentes’’, despista.
Um detalhe que dificultou a escolha foi que a maioria os candidatos tinha em média 25 anos, cursava faculdade e pertencia às classes sociais A e B. De acordo com o levantamento da produção, 66% dos inscritos eram do sexo masculino. Segundo Andréa Gomes de Souza, uma das finalistas do programa, os concorrentes foram intimamente questionados. ‘‘Eles queriam saber quantas vezes a gente pratica sexo por semana e se temos uma vida sexual ativa’’, entrega.
A produção realmente está preocupada com as cenas íntimas que serão reveladas e está preparando um ambiente propício para a luxúria. Neste ‘‘reality-show’’, diferentemente do programa ‘‘No Limite’’, também exibido pela Globo, os participantes não têm do que se queixar quando se trata de conforto. A casa será equipada com ar condicionado central, aquecimento de água por boiler elétrico, janelas cenográficas nos dois quartos, piscina, jardim com 600 metros quadrados e comida à vontade. Em contrapartida, os competidores não terão mordomias nas tarefas domésticas. Eles terão de cozinhar, limpar a casa e ainda de lavar as próprias roupas à mão – inclusive um suspeito edredom e dois jogos de cama e de banho que cada um receberá ao entrar no programa.
Durante os 90 dias em que os jogadores estiverem confinados na casa – sonhando com o prêmio de R$ 500 mil – a edição do que vai ao ar fica por conta dos diretores Luis Paulo Simonetti, Eduardo Aguillar e Pedro Carvana, com direção geral do Boninho, que comandou duas das três edições de ‘‘No Limite’’. A exibição de estréia, na terça-feira, terá 40 minutos de duração e será após a novela ‘‘O Clone’’. Às segundas, quintas, sextas e sábados, sempre depois da novela, o programa terá apenas 15 minutos. Às quartas e domingos, o programa ‘‘Big Brother Brasil’’ terá 30 minutos. Nas quartas, depois dos jogos das copas regionais de futebol. Aos domingos, após o ‘‘Fantástico’’.
Durante a exibição do programa principal, às terças-feiras, o público irá escolher um dos concorrentes para ser eliminado através do sistema de discagem gratuita 0800. E ainda poderá conferir a cobertura completa através do canal Multishow, da Globosat, além de jornalísticos da emissora, como ‘‘Fantástico’’ e ‘‘Jornal Nacional’’.

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