Olhar dramático
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sábado, 14 de novembro de 2015
Raquel Rodrigues<br>TV Press 
Depois da primeira temporada de sucesso, era uma questão de tempo para que "Conselho Tutelar" voltasse à grade de programação da Record. Em parceria com a Visom Digital, a emissora deve transmitir a segunda temporada da série em janeiro de 2016. As boas críticas sobre a produção fizeram com que o diretor Rudi Lagemann mantivesse uma abordagem semelhante à que deu certo nos primeiros cinco episódios, sem um sentimentalismo exacerbado. "Toda a linha de tratamento estético é similar à primeira temporada. Só que as histórias são um pouco mais intensas", assegura Lagemann.
Mas a novidade dos novos cinco episódios é que cada um deles utilizou um gênero de cinema. "A gente trabalhou com o suspense, com ação, mas a abordagem é similar porque ela funcionou bem. Inclusive, o grande desafio é manter a qualidade", explica o diretor.
Na segunda temporada, os conselheiros Sereno e César, vividos por Roberto Bomtempo e Paulo Vilela, continuam resolvendo os casos de negligência, maus tratos e abusos sofridos por crianças e adolescentes. Mas, desta vez, dando ênfase à violência psicológica. "A temporada está mais dramática. Na primeira, não tinha criança que morria e nesta temos", adianta Vilela.
Nos novos episódios, os dramas das vidas pessoais dos conselheiros também são valorizados. O público vai ver como o abuso que César sofreu durante a infância ainda o atormenta. E como Sereno está com o estado de saúde debilitado. "É a primeira vez que volto depois de algum tempo para fazer o mesmo personagem. Então, tive a oportunidade de me aprofundar mais. A doença do Sereno vai evoluindo e ele começa a questionar se deve permanecer na profissão", revela Bomtempo.
Gravada durante sete semanas, entre os meses de agosto e setembro, no Rio de Janeiro, a segunda temporada de "Conselho Tutelar" será exibida em cinco dias seguidos, de segunda a sexta. Para o diretor, esse formato permite que o espectador não se esqueça da série. "O mundo hoje tem tantas janelas de informação como computador, tablet, televisão, impresso que se passar o episódio em um dia e tiver de esperar a semana que vem para o próximo, a pessoa não vai lembrar", enfatiza Lagemann.
Além do elenco fixo, cada episódio de "Conselho Tutelar" conta com participações especiais de atores como Milhem Cortaz, Silvio Guindane, André Ramiro, Luciana Braga, Rafaela Mandelli e Caio Junqueira. O ator, inclusive, diz que a experiência de participar da produção foi tão boa que desejava estar em mais episódios. "A série tem a história principal e essas outras que permeiam, então foi muito legal de trabalhar", valoriza Junqueira.
A escolha de qual ator é mais adequado para cada papel é feita pelo diretor. Primeiro, Lagemann busca por nomes que se encaixem nos perfis dos personagens no banco de atores da Record. Caso não tenha sucesso, faz testes até encontrar atores com as características que quer. "A composição do elenco é quase sempre 30% da Record e 70% do mercado. Acho que, para as histórias se tornarem críveis, é bom ter alguns atores desconhecidos do grande público. Conheço muita gente do teatro e do cinema que vou lá e pinço", explica o diretor.
A probabilidade de uma terceira temporada é alta. Segundo Lagemann, tudo está preparado para o caso de os novos episódios repercutirem de forma tão positiva quanto os primeiros. "A gente já está em negociação. Mas claro que depende do retorno dessa segunda temporada. Temos mais cinco episódios já escritos", relata o diretor.
E mais uma temporada é tudo que os atores Paulo Vilela e Roberto Bomtempo desejam. Para eles, cinco episódios não são o suficiente para passar as mensagens de cada caso. "A série tem uma importância social. Tem a dramaturgia, mas apresenta casos importantes que acontecem todo dia na sociedade", reflete Bomtempo.


