Oito das mais belas vozes brasileiras
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sexta-feira, 13 de novembro de 1998
Zeca Corrêa Leite 
Para quem está sentindo falta de conjuntos afinados e de belas vozes, que realmente cantem, uma das saídas é assistir esta noite (sexta-feira) ao show Bate-Boca, no Guairão. O MPB-4 e o Quarteto em Cy apresentam-se juntos pela primeira vez ao público curitibano, mas é bom lembrar: esta é uma noitada única. Não haverá um segundo espetáculo.
Depois de Cobra de Vidro, gravado ao vivo em meados dos anos 70, os dois quartetos resolveram deixar suas vozes juntas em novo disco. Lançado pela PolyGram há um ano, Bate-Boca reúne as parcerias feitas entre Chico Buarque e Tom Jobim.
O show, naturalmente, tem o repertório ampliado com outras parceiras como as de Chico com Sivuca, Milton Nascimento e Fernando Brant, Toquinho e Vinícius, Aldir Blanc e Sílvio da Silva Jr. Para quem não sabe foram eles que criaram Amigo é Pra Essas Coisas, canção obrigatória do MPB-4 onde quer que se apresente.
Diversos climas, diversas cores tingem o espetáculo. A trajetória artística dos dois grupos, com mais de 30 anos de carreira, oferece material suficiente para cantar o que há de recente e sucessos do passado. Numa das passagens Cynara e Cybele ocupam o palco, sozinhas, para cantar Sabiá, de Chico e Tom.
É mais que um simples número musical. Ali está uma parte da história delas, quando o Quarteto em Cy desfez-se temporariamente e ficaram somente as duas. Época do Festival Internacional da Canção, no Rio de Janeiro, e da obra-prima que nasceu ali, Sabiá. No calor das paixões nem todos entenderam o lirismo da canção e a sensibilidade da poesia de Chico, que criou uma Canção do Exílio à sua maneira, com a certeza de que aqueles duros tempos iriam passar.
Quando o MPB-4 apresenta Amigo é Pra Essas Coisas e Roda-Viva, estão de volta os festivais, dos quais participaram ativamente. No mais importante deles, de 1967, defenderam Gabriela, um frevo que motivou a platéia a abrir sombrinhas e guarda-chuvas, numa manifestação espontânea. Minutos depois os quatro acompanhavam Chico Buarque em Roda-Viva. Aliás, nesses idos era difícil ver Chico na TV sem o apoio vocal de Ruy, Magro, Miltinho e Aquiles.


