Oiticica revive no Rio
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quarta-feira, 25 de abril de 2001
Beatriz Coelho Silva Agência Estado 
O artista plástico Hélio Oiticica, morto há 21 anos, deixou muitos projetos que só agora começam a ser executados. Eram obras ambiciosas em tamanho e custo, mas o principal motivo para que ele as deixasse de lado era seu incessante turbilhão de idéias, além das dificuldades para realizá-las. Agora, um de seus penetráveis, o Magic Square nº 5, foi construído no Museu do Açude, no Rio. A inauguração, adiada várias vezes, está marcada para amanhã.
O Magic Square faz parte de uma série de oito obras, concebidas no início dos anos 70, quando Oiticica morava em Nova York e imaginou instalá-las no Central Park. Não foi possível, por causa das dimensões e de detalhes técnicos. É uma obra em concreto, que ocupa 225 metros quadrados e precisa de um terreno pelo menos cinco vezes maior para cumprir a função prevista pelo artista. Ele queria que o mato invadisse a natureza e interagisse com a obra, explica o sobrinho do artista, César Oiticica, atual curador do projeto que preserva a sua obra. Era um novo conceito de obra pública, mas aqui no Brasil tinha também o problema de ser invadido pelos sem-teto.
No Museu do Açude, esse risco não existe. A instituição pertence à Fundação Castro Maya e foi casa de campo de um milionário carioca que lhe deu o nome. Situada no meio da Floresta da Tijuca, seus jardins são vigiados constantemente e as outras duas instalações colocadas lá, Dora Maar, de Iole de Freitas, e Estão, de Ana Maria Maiolino, estão preservadas. O penetrável de Hélio Oiticica vem aumentar a coleção, que este ano ainda deve receber mais quatro obras de artistas a serem escolhidos.
Mesmo assim, não foi fácil construí-lo, a começar pelo preço do projeto - cerca de R$ 47 mil - patrocinado pelo Banco Safra, parceiro antigo do Museu do Açude. Mesmo assim, foi preciso inventar a tinta com a fábrica paulista Akzonobel e César Oiticica, que é fotógrafo, trabalhou sem receber para que houvesse um catálogo. O mais difícil foi conseguir chegar à cor determinada pelo Hélio, conta César.
Enquanto busca apoio para desenvolver outros projetos iniciados pelo tio, César Oiticica se prepara para levar para o Wexner Center, em Ohio (EUA), a mostra Quase Cinema, que esteve na Bienal de Havana entre novembro de 2000 e janeiro deste ano.


