Oiticica chega à era digital
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de março de 1999
Beatriz Coelho Silva Agência Estado 
Hélio Oiticica ganha hoje um resumo de sua obra com o lançamento do CD-ROM H.O. Supra-Sensorial, produzido pelo Núcleo de Tecnologia da Imagem da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. Morto em 1980, o artista plástico tornou-se uma referência nas artes brasileiras, pois foi um dos primeiros a sair das galerias e museus e levar seu trabalho para a rua, convidando o público a participar do seu processo de criação.
Este CD-ROM pretende mostrar a vida e as idéias de Oiticica a partir de sua obra, explica a diretora Kátia Maciel. Para isso, ela dividiu a navegação em 16 sessões correspondentes às fases de seu trabalho. Há um capítulo dedicado aos parangolés, outro aos penetráveis, ao tropicalismo - do qual ele foi um dos mentores - e outro, ainda, aos bólides. O enfoque é a obra, mas quem não sabe nada sobre Hélio Oiticica pode conhecê-lo a partir do CD-ROM.
Para realizá-lo, Kátia e sua equipe trabalharam durante dois anos, desde a inauguração do Centro de Arte Hélio Oiticica, no Rio, quando houve uma grande retrospectiva de sua obra. Na época, registramos em vídeo toda a exposição, já pensando neste trabalho, conta a diretora. Depois, pesquisamos no arquivo da família dele, em museus de Nova York, onde morou, e conseguimos algumas entrevistas em que o artista explica sua obra ao público.
O CD-ROM recebeu financiamento da Fundação de Universitária José Bonifácio, da UFRJ, da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado do Rio (Faperj), do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq) e será distribuído em livrarias especializadas. Kátia pretende, ao longo deste ano, lançar outro projeto, mas ainda está em dúvida entre a obra de um artista contemporâneo vivo ou de algum outro neo-concretista. Nossa idéia é sintetizar a obra de criadores que levam o público a participar do seu processo de criação e, por isso, ainda não escolhemos qual será o próximo lançamento.
Oiticica foi um artista inovador, que experimentou vários suportes para sua obra, mas não chegou a usar os recursos da informática, pois não viveu o suficiente para vê-la popularizada. Acho que, se ele estivesse vivo, colocaria seus trabalhos na Internet e em outros meios, sugere Kátia, lembrando que Hélio Oiticica chegou a fazer cinema, embora não tenha chegado a concluir nenhuma de suas experiências nesse campo. Este CD-ROM pretende traduzi-lo para a multimídia, da forma como o próprio Oiticica faria, garante.


