'Oh!' Canada', com Richard Gere, entra em cartaz em Londrina
A programação do Cine Teatro Ouro Verde volta nesta segunda-feira (21), com filme que tem também Uma Thurman no elenco
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quinta-feira, 17 de julho de 2025
A programação do Cine Teatro Ouro Verde volta nesta segunda-feira (21), com filme que tem também Uma Thurman no elenco
Carlos Eduardo Lourenço Jorge/ Especial para a FOLHA 

Paul Schrader, roteirista de “Taxi Driver” (1976) e “Touro Indomável” (1980) retorna mais uma vez com “Oh, Canada” aos seus principais temas — a culpa, a linha duvidosa entre verdade e mentira, a apropriação e a redenção — com um senso de narrativa e uma estética que se conectam completamente com seus filmes anteriores, que não são poucos – a maioria interessantes.
A culpa, e com ela as sombras do passado, imperfeitas, sejam elas reais ou irreais, idealizadas ou imaginárias. São temas que assombram seus personagens. E o diretor trabalha nisso como sempre: levantando mais perguntas do que respostas, fiel à característica mais estimulante de seus filmes, embora, por outro lado, elas coexistam naturalmente com seu “vício” em se perder nos próprios labirintos que levam à sua insistência em abordar muitos conflitos existenciais ao mesmo tempo.
Aqui, o protagonista é o prestigiado diretor de documentários Leonard Fife, (interpretado por Richard Gere), alguém à beira da morte que decide desvendar (e entregar) todos os segredos de sua vida em uma entrevista final filmada por outros documentaristas, seus ex-alunos, e presenciada por sua mulher (Uma Thurman). O filme, baseado no romance "The Desertions", de Russell Banks, explora as memórias de um homem instável e covarde que reflete sobre erros do passado e seu desejo de redenção.
Schrader trabalha com dois períodos de tempo: lembranças/passagens entre passado e presente, de modo que realidade e ficção tendem a se confundir. Ele mistura indiscriminadamente uma e outra época, imagens de Gere e de Jacob Elordi, ator que interpreta Leonard quando jovem. O resultado é uma interação envolvente, também com formatos e texturas, e uma reflexão profunda sobre como construímos nossa identidade.
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Sua jornada provocativa e estimulante pela memória, decrepitude e morte — sendo o melhor e mais difícil momento o monólogo do protagonista idoso confrontando sua velhice com o aroma da juventude da jovem que lhe coloca na roupa o microfone — é, no entanto, truncada em vários momentos por jogos imprudentes com a percepção do público, que semeiam confusão desnecessária onde deveria reinar a provocação implacável e irrestrita, como a que alude às fezes secas no ânus do protagonista.
Aliás, esses jogos de percepção são, em alguns casos, óbvios demais, desinteressantes ou absolutamente dispensáveis. E em outros momentos, falta um desenvolvimento narrativo menos complexo em suas incursões ao passado real ou imaginário, e uma maior sobriedade diante dessas rupturas, que é o melhor do filme: a confissão penitencial do protagonista diante da câmera, de seus alunos e de sua esposa.
Isso, por outro lado, conecta-se com as dúvidas morais e as jornadas carregadas de culpa expressas por meio de imagens espelhadas e momentos confessionais que dominam os roteiros de Schrader para De Niro/Taxi Driver e De Niro/Touro Indomável.

Desde o início, “Oh, Canada” é proposta com vários atrativos: como o reencontro com Schrader, a quem os cinéfilos devem agradecer por seu trabalho como roteirista de preciosidades como “Yakuza” (1974), e dos títulos citados no início; e como diretor de “Blue Collar” (1978), “Mishima” (1985) e Affliction (1997), ou o reencontro com Uma Thurman, atriz que neste filme deixa absolutamente claro que tem muito a oferecer em sua esplêndida maturidade. Isto se os produtores sacudissem a letargia que parece se espalhar como uma epidemia na Hollywood atual e lhe dessem papéis dignos de seu talento.
O filme estará em cartaz no Cine Ouro Verde na segunda (21), terça (22) e quarta (23), em sessões às 16h00 e 19h30. Todos pagam meia-entrada a R$ 10,00.


