OFICINAS - Jornal é instrumento da educação
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segunda-feira, 06 de outubro de 2003
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
''Sem o domínio da leitura e da escrita não há como exercer a cidadania. A pessoa fica sem acesso a informações fundamentais para a garantir a sua qualidade de vida. E o importante não é só decodificar ou codificar letras, tornando-se um 'analfabeto funcional', mas, sim, aprender a abstrair informações e interpretá-las com senso crítico.''
Dessa maneira, a professora Olinda Rosa Ribas define a importância da aquisição da leitura e da escrita como base para o desenvolvimento do conhecimento humano. Com 20 anos de experiência na área de Educação, Olinda, que é especialista em Literatura, há nove anos coordena projetos educacionais da Secretaria Municipal de Educação para o estímulo da escrita e da leitura. Entre eles, está o projeto ''Leitura e Cidadania'', que tem o projeto Folha Cidadania, da Folha de Londrina, como principal parceiro. Participa também desse trabalho a assessora de alfabetização Rosana Daliner Acosta Marchese.
No projeto, Olinda realiza oficinas de capacitação para professores para o uso do jornal na sala de aula. Atualmente, 80 escolas municipais recebem uma vez por semana exemplares da Folha de Londrina, com desconto de 49%, sendo o restante subsidiado pela Secretaria de Educação. O trabalho é mais direcionado para alunos da 4 série, que começam a intensificar a produção da escrita e da leitura na sala de aula, e alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA), mas pode ser estendido para outras séries. O público-alvo principal atinge aproximadamente nove mil alunos.
Na última sexta-feira, um grupo de estudos foi realizado com 12 professores da Escola Municipal Dr. Cláudio de Almeida e Silva. O trabalho iniciou-se com a descrição dos elementos que compõem o jornal impresso. ''Embora tenhamos a televisão e o Internet, o jornal ainda é mais eficiente no trabalho pedagógico do desenvolvimento da capacidade de ler e escrever'', defende Olinda.
Os professores são orientados sobre a foto principal e a manchete da primeira página do jornal, os textos breves da capa (que chamam a atenção para as páginas internas do jornal), as charges (desenho humorístico com crítica de costumes), o editorial (onde a opinião do jornal é colocada), as editorias (divisões do jornal por assunto), a diagramação (distribuição harmônica de texto e imagem). Outros elementos, como fotos, infográficos (recurso para a interpretação de dados e informações) e suplementos (cadernos publicados com regularidade específica) também são destacados. Esse trabalho também inclui a reflexão da função do jornal impresso, a função social da leitura e da escrita e do seu estímulo como ponto de partida para a resolução de dramáticas individuais.
A oficina de capacitação é bastante prática e sugere diversas dinâmicas que podem ser utilizadas pelos professores na sala de aula. Entre elas, está o ''Jogo Dramático'', como sugestão para a aula inicial com o trabalho com o jornal. O trabalho é feito em duplas, onde são escolhidos alguns personagens para dramatização a partir da observação das notícias, reportagens, manchetes, fotos e personagens. O objetivo é verificar quem descobre primeiro o personagem a quem a dramatização se refere, página e qual editoria se encontra. ''É uma brincadeira que ajuda a fazer uma leitura global do jornal. É uma forma de estimular a leitura de outros temas e iniciar conteúdos gramaticais. Os adjetivos dos personagens escolhidos também são fonte de aprendizagem para os alunos'', destacou Olinda.
Mais voltada para os alunos da 4 série, a atividade ''Hipóteses Jornalísticas'' sugere a escolha de algumas notícias de jornal que supostamente seriam a única recordação da sociedade contemporânea daqui a 200 anos. A partir daí, os alunos discutem as hipóteses que podem ser deduzidas com base nas notícias do jornal e levantam possíveis mudanças. No evento, a professora participante escolheu uma notícia sobre a sanção do Estatuto do Idoso e levantou questões mais aprofundadadas sobre o assunto. ''É importante que o professor valorize a atividade da leitura e do registro, através da escrita ou do desenho. Nesta fase, as crianças têm muita imaginação e isso precisa ser aproveitado e bem direcionado dentro de um processo criativo de aprendizagem'', salientou Olinda.
Outra atividade em sala de aula denomina-se ''Qual a reação?'', através dela os alunos podem fazer a leitura visual das imagens ou ler os textos destacando os sentimentos que as notícias ou imagens remetem. Sugerem-se conceitos-chave como: ''importante'', ''emocionante'', ''assustador'', ''chato'', ''muito chato''.
Nesse trabalho, valoriza-se a exposição dos sentimentos dos alunos como uma forma de criar um vínculo afetivo com a leitura escrita, fazendo com que a criança perceba a sua função social. Segundo Olinda, muitas vezes a criança considera o ato de ler e escrever um castigo e é preciso que o professor esteja atento para esse conflito, que muitas vezes pode estar sendo o reflexo de relações conflitantes com a família, amigos ou com a escola.
Para a professora da pré-escola Eliane Aparecido Candotti, o jornal tem sido um grande facilitador no processo de aprendizagem. ''É um material muito rico e com as crianças da faixa etária que trabalho as atividades são mais lúdicas, baseadas na oralidade e nas imagens. Também propomos atividades onde os pais têm que ler as notícias para os filhos, o que gera maior integração entre eles'', afirmou.
A professora Simone Aparecida Paviotti Fávaro Gouvêa, recém-contratada para dar aulas para a 2 série, aprovou a oficina e disse que ela ampliou as oportunidades de atividades em sala aula. ''Tudo isso é um trabalho novo para mim. Sempre gostei de ler jornal e achei ótimo ver o quanto ele pode ser usado como material didático para crianças'', comentou.


