Oficina para ensinar a arte do roteiro
Oficina para ensinar
a arte do roteiro
Uma das reclamações mais constantes do júri que analisa os roteiros de paranaenses no Festival de Cinema de Curitiba relaciona-se às boas idéias prejudicadas por roteiros ruins. A Oficina de Roteiro para Cinema, que começa hoje no Museu da Imagem e do Som, com Luciano Coelho, ajudará a mudar a situação.
O curso aberto a iniciantes e iniciados na arte, vai até sexta-feira, 2 de julho, com aulas das 17 às 22 horas, para uma turma limitada a 30 alunos. Serão trabalhados os mais variados aspectos para a elaboração de um roteiro, com aulas divididas em duas partes - teórica e prática.
A proposta não é só trabalhar na técnica da narrativa, mas dissecar os porquês dessa técnica que tanto pode beneficiar como prejudicar um filme. Coelho observa que uma idéia brilhante pode facilmente ser desperdiçada, se mal adaptada ao filme.
É preciso estar atento à unidade do enredo, para não dar ao espectador a sensação de que ele assistiu a um filme na primeira parte, e a outro na segunda. O roteirista é basicamente um químico. ele tem vários elementos com que lidar, para que haja harmonia em termos de tempo, de personagens, de diálogos, explica.
Voltando à crítica sofrida pelos paranaenses nas edições do Festival de Cinema, este não é privilégio local. O cinema nacional há muito tempo padece da mesma falha. Acontece que muitas vezes o próprio diretor do filme quer escrever o roteiro, fazer tudo. O ideal acontece no cinema americano que contrata um roteirista, por ser ele a pessoa especializada nessa arte, comenta Coelho.
Depois de cursar durante dois anos a Escola Internacional de Cinema e Televisão de Cuba, e ter feito no Chile curso de direção de fotografia com Hector Ríos, um dos grandes diretores de fotografia do cinema latino-americano, Luciano Coelho rodou o documentário História de um Passado Perdido, nnaquele país.
O filme participou dos festivais de Havana, do Chile, de Brasília (foi hor-concour) e de Curitiba, de onde ganhou dois prêmios, um deles como o de melhores roteiro. Posteriormente realizou novo documentário, O Ubernauta, sobre a viagem do jornalista Eduardo Fenianos, que percorreu não só todas as ruas, como todos os rios da capital, em 100 dias.
A proposta era a de conhecer a fundo a sua cidade, numa contraposição às camadas de brasileiros que anseiam visitar outras cidades, inclusive do exterior, mas pouco sabem donde moram.
No momento o cineasta prepara-se para rodar um curta em 35mm, O Fim do Ciúme, baseado num conto de Marcel Proust, através da Lei de Incentivo à Cultura. O filme está sendo escrito a quatro mãos com o dramaturgo Edson Bueno, e o resultado vem dando certo, segundo Coelho:
- Como primeira experiência na escrita de roteiro, percebe-se claramente que o talento demonstrado no teatro, será aplicado no cinema. Espero que o curta saia bacana, mesmo porque tem produção de Fernando Severo, e atuação dos atores Fernanda Farah e Leonardo Goulart. Uma boa equipe de trabalho.
Oficina de Roteiro para Cinema. De 28 de junho a 2 de julho, das 19h às 22h, no Museu da Imagem e do Som, Rua Barão do Rio Branco, 395. Taxa de inscrição: R$ 40,00.





