Oficina de teatro põe em cena os internos da PEL
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segunda-feira, 28 de maio de 2001
Katia Michelle De Londrina 
Tarde de visitas na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), no último domingo, e uma rebelião nada convencional dava início. Onze detentos que participaram da oficina de teatro ministrada pelo diretor paulista Roberto Lage, dentro da programação do Festival Internacional de Londrina (Filo), encenavam o texto Aquele que diz sim e aquele que diz não, do dramaturgo alemão Bertold Brecht (1898 - 1956). Mais pertinente impossível. O texto aborda o cumprimento das regras na sociedade, não de forma maniqueísta, mas propondo uma reflexão sobre o tema.
A trama gira em torno de um menino que se aventura em uma excursão em busca de remédio para a mãe, vítima de uma epidemia. Durante o trajeto, o garoto fica doente e surge o dilema: abandoná-lo e seguir viagem para levar o remédio para a comunidade ou sacrificar o grupo em função dele? Para encená-la os detentos utilizaram elementos da própria realidade. Trechos em ritmo de rap (E eles seguiram. Nenhum mais culpado que o outro. Nenhum mais covarde que o outro) e jogos de capoeira permearam a montagem.
Para Lage, o resultado estético do trabalho é insipiente se comparado ao processo da oficina. Ele diz acreditar que a duração (cerca de 30 horas) foi insuficiente para consolidar o trabalho e já propôs à organização do Filo que o processo tenha continuidade. Caso contrário pode até ser caracterizado um oportunismo do festival com o segmento dos excluídos, comenta numa observação tão apropriada quanto o texto que escolheu. A direção da PEL e do Filo prometeram estudar o assunto.


