Oficina de Música de Curitiba abre inscrições
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terça-feira, 29 de outubro de 2002
Katia Michelle<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Fundação Cultural de Curitiba já está recebendo inscrições para a 21 Oficina de Música de Curitiba. O evento é considerado um dos mais importantes festivais de música do País. Oferece cerca de 100 cursos e reúne, durante a sua realização, perto de dois mil alunos vindos de todos os cantos do Brasil e países vizinhos. Se depender do entusiasmo do diretor artístico da oficina, Alex Klein, a edição do próximo ano, que acontece entre os dias 5 e 25 de janeiro, vai consolidar ainda mais o êxito do evento.
Único brasileiro a ganhar o Prêmio Grammy de Melhor Solista Instrumental (2002), Klein está em Curitiba para acertar os últimos detalhes da programação da oficina. Dá atenção especial ao monitoramento dos contatos internacionais que já concretizou e alguns que teve que deixar de lado em função da alta do dólar antes de voltar a Chicago, onde mora atualmente. Klein prefere não falar dos cursos e concertos que sofreram baixa. ``As pessoas acham que estão perdendo algum coisa``, argumenta.
Mas refuta essa idéia: ``A qualidade do evento está cada vez melhor. Se este ano foi bom, a edição de 2003 vai ser ainda melhor``, elogia, sem modéstia. Esse é o segundo ano que Klein responde pela direção do evento. No mês passado, quando veio ao Brasil lançar a programação da oficina, já havia anunciado a intenção de ``internacionalizar`` o festival. A variação cambial jogou um pouco de água fria na idéia, mas segundo o oboísta não chega a refletir no conjunto da programação.
Estarão presentes na 21 edição da Oficina de Música, nomes como o violinista Shmuel Ashkenasi, integrante do famoso Quarteto de Cordas Vermeer; o flautista francês Michel Debost; o primeiro trompista da Chicago Symphony, Dale Clavenger; o alaudista americano Hopkinson Smith, uma das maiores autoridades na área de música antiga, entre outros. Na fase de MPB a grande atração fica por conta do show de encerramento, com Hermeto Pascoal.
Para driblar as dificuldades financeiras de um evento com tantos ícones da música tanto erudita como popular Klein revela que estão sendo tomadas medidas inéditas. ``Pela primeira vez, a oficina terá um corpo de patronos``, adianta. A exemplo do que acontece nos Estados Unidos, a iniciativa privada vai participar mais efetivamente, dando uma folga aos cofres públicos.
Também está sendo criado uma Associação de Senhoras, mulheres que se candidatam voluntariamente para ciceronear professores e alunos de outros estados e países. ``Os professores de fora do Brasil vêm com um cachê muito pequeno, o voluntariado vai ser o óleo que vai ajudar o motor da oficina girar``, argumenta Klein. A edição tem orçamento oficial de R$ 1,7 ,milhão.
Os cursos e concertos oferecidos contemplam manifestações da música erudita à popular, com passagem pela música antiga, núcleo dirigido pelo flautista Ricardo Kanji, integrante da Orquestra do Século 18.
Ainda dentro da programação internacional, a oficina apresenta o conjunto italiano Ensemble Zeffiro e com o violinista argentino Manfred Kramer, primeiro violino da Orquestra La Nation.
O violoncelista brasileiro Antonio Meneses abrirá a temporada com o Concerto em Ré Maior para Violoncelo e Orquestra, de Joseph Haydn. Também na abertura, o pianista brasileiro radicado na Suiça, Ricardo Castro, tocará o Concerto em Ré Maior para Piano, do mesmo compositor.
Outra grande atração do festival será o trompista americano Dale Clevenger, solista de trompa da Orquestra Sinfônica de Chicago. Ele irá reger um concerto especial de música polifônica para metais, escrita pelo compositor renascentista Giovanni Gabrielli. Este concerto terá a participação de 70 instrumentistas, distribuídos entre vários corais espalhados pela Catedral de Curitiba.
Dentro de uma programação tão vasta, o diretor artístico do segmento erudito da oficina ressalta a apresentação da orquestra de alunos, que vai executar a obra ``Sagração da Primavera``, de Igor Stravisnsky. A regência será do maestro português convidado Osvaldo Ferreira, regente assistente de Claudio Abbado na Filarmônica de Berlim. Na estréia da peça, em 1913, os músicos precisaram de 30 ensaios para apresentar o espetáculo. Na oficina, os alunos vão ensaiar durante apenas dez dias.
Outra novidade da próxima edição da oficina é que o evento vai oferecer uma série de três concertos diários, precedidos de palestras de meia hora. ``Os espectadores que quiserem saber mais sobre a música erudita podem chegar com antecedência à apresentação``, aconselha Klein. ``Também vai ficar mais fácil para as pessoas se planejarem``, argumenta. Nas duas fases erudita e popular a oficina vai oferecer cerca de 70 concertos.
Serviço: 21 Oficina de Música de Curitiba. Inscrições podem ser realizadas até 22 de novembro pelo site www.oficinademusica.org.br. Mais informações pelos telefones (0xx41) 321-3300; (0xx41) 321-3260 (música erudita) e (0xx41) 321-3315 (MPB).


