O Teatro Oficina, de José Celso Martinez Corrêa, expande suas atividades e cria um selo musical, o Ió, com projeto principal de editar em disco as trilhas sonoras de seus espetáculos teatrais.
O lançamento de estréia do Ió é ‘‘Primeiro Passo’’, primeiro disco solo do cantor e compositor paulistano Celso Sim, 29, que ocupou o palco do Oficina, esta semana, para apresentar seu trabalho em São Paulo. Sim é também diretor do Ió e foi ator do grupo de Zé Celso. ‘‘Minha relação com ele sempre se deu pela música. Sempre insisti que o Oficina precisava ter um selo. Pedi a ele e foi aceito’’, conta.
‘‘Sou diretor do selo sem vínculo empregatício’’, continua. ‘‘Saí do grupo porque minha relação com Zé Celso estava desgastada. Eu era o braço direito musical dele, mas fiquei sem diálogo. Bastou eu sair para o diálogo voltar.’’ Sim é afirmativo ao sublinhar a seriedade do projeto Ió: ‘‘Pode não ser tão organizado como o selo Chaos, da Sony, mas é um selo de verdade. Temos projetos para daqui a dez anos. O objetivo é lançar todas as trilhas do Oficina, começando das peças dos anos 90 e voltando até ‘O Rei da Vela’(67).’’
O próximo lançamento, se depender da vontade do grupo, será a trilha de ‘‘Bacantes’’, que Sim prevê para abril de 2000. ‘‘Por uma questão de desorganização, as fitas com as canções sumiram. Talvez eu tenha que regravá-las com voz e violão para produzir o disco, mas já temos certo o uso do estúdio do Sesc Vila Mariana para gravar. A idéia é fazer um disco duplo e um livro com o texto da peça’’ afirma o cantor.
‘‘Primeiro Passo’’, apesar de ser a estréia solo de Celso Sim, não é seu primeiro disco. Antes, dividiu ‘‘Pedra Bruta’’ (92) com o maldito Jorge Mautner, responsável maior pela identidade musical de Sim. ‘‘Eu fazia teatro com Miriam Muniz, foi ela quem me mostrou livros do Mautner. Um belo dia, na Avenida Paulista, vi aquele homem de terno, lindíssimo. Foi uma cantada mesmo, fiz ele vir atrás de mim. A cantada virou música.’’
É Mautner então, em parte, o responsável pelo teor tropicalista do trabalho de Sim. ‘‘Durante oito anos, tive uma convivência virulenta com ele. Se Mautner é, como diz Caetano, o avô do tropicalismo, então aprendi música com o avô do tropicalismo’’, resume.

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