Offspring promete "espancar" Backstreet Boys no Skol Rock Festival em SP
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quinta-feira, 04 de novembro de 1999
Por Jotabê Medeiros 
São Paulo, 05 (AE) - Quem quer ver o Backstreet Boys levar uma surra publicamente? A ocasião única vai pintar no dia 20, no Anhembi, em São Paulo, durante o show da banda punk temporã Offspring, maior atração do evento Skol Rock Festival (que os organizadores esperam ser visto por 50 mil pessoas). Quem garante é o guitarrista do Offspring, Kevin Noodles Wasserman, que diz que a banda vai repetir uma performance que já está ficando famosa em seus shows.
No meio do show, entram cinco garotos vestidos como Backstreet Boys e o líder do Offspring, Bryan Holland, os espanca com um taco de beisebol. "São algumas coisas que nós fazemos para ficar mais sintonizados com a platéia e devemos repetir no Brasil, já que o Backstreet Boys é uma das coisas mais estúpidas do show business", disse Noodles, em entrevista por telefone, ontem à tarde. Bem, de qualquer modo os meninos do "Backstreet" não podem reclamar de apanhar de um joão-ninguém. Bryan "Dexter" Holland, o controverso líder do Offspring, além de incompatível punk da periferia, é Ph.D. em microbiologia. Atividade que ele não exerce atualmente.
"Meus antigos professores ficaram chocados e disseram: Como? Você larga tudo por uma banda?", contou Holland ao "Wall of Sound". "Eles realmente não entendiam o que estava acontecendo". Mas voltemos ao guitarrista Noodles. Ele conta está louco para tocar no Skol Rock por um motivo muito maior que as cervejas. É fã número um do estilo do guitarrista Warren Fitzgerald, do The Vandalls, outra grande banda da segunda onda do punk rock. "É um dos caras mais técnicos que conheço e crescemos juntos no punk rock", lembra. "Ele realmente toca sem se importar com mais nada, é um sujeito dedicado à beleza da guitarra", afirma.
Para os fãs, há também uma porção de bons motivos para ver o Offspring (que já esteve no Brasil, em 1997). Além de ter conseguido fazer uma rara união entre a ferocidade do punk rock e um bom humor e uma leveza quase pop, o Offspring é adorado e odiado na mesma proporção, mas nunca ignorado. Com o disco "Smash", a banda vendeu mais de 11 milhões de cópias mundo afora. Já o mais recente trabalho, "Americana", não fez tanto sucesso assim.
O Offspring e o Green Day (com seu disco Dookie) lideraram uma nova explosão punk pelo mundo (onda que tem também como expoentes gente como The Vandalls). Noodles conta que eles devem entrar em estúdio em junho e já têm umas seis músicas prontas. Mas não devem tocá-las no show no Skol Rock Festival. "Pessoalmente, eu acho que o punk é mais uma atitude de vida do que um estilo de música", diz Noodles. "Mas atitude não é uma convenção, não há regras que digam que você tem de ser assim ou assado: trata-se apenas de uma total liberdade de expressão".
É por conta desse seu conceito abrangente que ele considera o Prodigy um legítimo grupo punk, embora sua praia seja a eletrônica. "Gosto do Prodigy, eles certamente são punks em alguns aspectos", diz Noodles. "Mas é preciso observar que, além de tudo, eles têm uma guitarra real, uma bateria real, um baixo real do qual gravam as bases", afirma. Ele comentou também os incidentes em Woodstock, festival que culminou este ano com pancadaria e cenas de abuso sexual. O Offspring tocou na primeira noite. "Acho que há uma responsabilidade da organização, que deveria ter posto mais guardas, mais segurança", comenta o guitarrista.


