Não basta conferir ''cara, crachá'' e muito menos o RG de alguém da geração Y. Antes de confirmar a identidade do fulano conheça primeiro o seu avatar no Second Life. É para esses jovens, que não chegaram aos 30 anos, que não desgrudam do iPod e que adotam a filosofia de vida ''speak your mind'', algo tipo: ''estimule a sua mente'', que surgem novas mídias, como a revista Offline, que está entrando na 8 edição.
Vivendo numa bolha tecnológica cercada de facilidades por todos os lados, esses jovens nem sonham o que foi aprender datilografia numa máquina de escrever Remington. Para eles e afins, a Editora Novo Meio lançou a revista, que tem uma tiragem de 50 mil exemplares. Dirigida ao público universitário, a distribuição é gratuita em 70 instituições de ensino superior, 35 cidades e 12 estados brasileiros.
No Paraná, os 500 exemplares distribuídos estão indo parar nas mãos de estudantes das universidades Federal do Paraná (UFPR), estaduais de Londrina (UEL) e de Maringá (UEM).
Para pilotar essa novidade num mundo já totalmente ambientado com a realidade virtual, um editor que trocou uma carreira promissora no mercado de consultoria em comunicação por uma incursão na contramão das novas mídias. Ricardo Peruchi é um típico perfil da geração Y.
Ele abre um portal de argumentos, que justificam a revista ser gratuita, ressaltando que os nascidos em plena revolução digital não aceitam pagar para ter informação. ''Não tem como voltar atrás. Isso é irrevogável e quem quiser sobreviver terá que mudar'', afirma Peruchi.
Com um pé na arte urbana e um click na cybercultura, a Offline traz para a revista o conceito visual da web. A publicação, que também está disponível na internet (www.offline.com.br), parece com o formato widescreen das telas dos computadores. ''Se fizermos uma reflexão sobre a história da arte verificamos que a percepção retangular, como se fosse uma janela, faz parte do cotidiano do homem, desde as primeiras pinturas, o aparecimento do cinema e da TV à tela do computador. Já o hábito de ler on-line trouxe uma lógica não-linear de leitura, que a gente procura reproduzir na revista. Você pode ler de onde quiser. Estamos falando de um produto para uma geração que não conheceu os processos analógicos de informação. Temos que nos adaptar aos hábitos de leitura dessa nova geração. Caso contrário, a gente vai perder leitores'', afirma Peruchi.
Revista colaborativa, 90% da equipe são universitários, o editor ressalta que a publicação abre espaço para talentos, entre os estudantes, que queiram participar com reportagens, fotografias, charges e textos de ficção. Peruchi acrescenta que a Offline não tem caráter pedagógico, mas é um canal para que os jovens entrem em contato com o mundo profissional.
A cada reunião de pauta, uma personalidade é convidada para discutir os temas da próxima edição com os jovens. Entre os convidados, o arquiteto Luiz Telles, professor do Mackenzie, um dos responsáveis pelo projeto arquitetônico do Centro Cultural São Paulo, que desenvolve pesquisa sobre cultura urbana. ''Trouxemos para a edição 6 alguém que tem essa visão da cultura urbana, a partir da arquitetura e ao mesmo tempo como estudioso. Para a próxima edição, a de número 8, promovemos um encontro com José Márcio Nicolosi, diretor dos Estúdios Maurício de Sousa, que lançou a graphic novel 'Fetichast', um cara que vive o mundo da criação, mas também a cena independente. Nas próximas capas, entre outros assuntos, vamos trazer o cinema brasileiro e, para isso, já estamos pensando em um novo convidado para um bate-papo com os estudantes'', acrescenta Peruchi.

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