Kraw PenasMaria Cecília de Leão Rosenmann: ‘‘Não me promovo pessoalmente através da poesia; não preciso disso. Eu me dôo através dela’’.Poucos livros de poesia chegam ao mundo com tanta pompa, como está programado para acontecer com ‘‘Assim...’’, de Maria Cecília de Leão Rosenmann. O lançamento está marcado para acontecer quarta-feira, no salão nobre do Palácio Iguaçu, com chancela da primeira dama, Fany Lerner. Haverá concerto da Camerata Antiqua de Curitiba e do Sexteto de Curitiba.
Os cuidados em torno de ‘‘Assim...’’, que terá ilustrações de Cícero Dias, artista plástico brasileiro há 40 anos radicado em Paris, e a presença da
primeira-dama nesta história têm um único motivo - o Hospital de Clínicas. A primeira edição do livro será inteiramente destinada à Unidade de Cirurgia Pediátrica do HC.
Maria Cecília é enfática quando à qualidade do livro - faz questão de um volume ‘‘à altura da vontade da primeira-dama. Ela quis que ele saísse’’, avisa. Trocando em miúdos, vem aí uma obra de arte, muito embora longe de ser ostensivo. ‘‘Será normal, bonito e as pessoas terão prazer em tê-lo em casa’’.
O que a poeta não quer é mais um título enfileirando-se entre os brochuras. Para isso chamou Antonia Swinden para coordenar o projeto e Guinski para cuidar do planejamento gráfico. Cícero Dias foi o toque de ouro.
Todo esse capricho junta-se aos escritos de uma ‘‘poeta bissexta’’, autora de ‘‘Traço’’, livro anterior que teve ilustrações de outro nome famoso, Juarez Machado. ‘‘Quando os poemas ficam prontos, edito’’, diz Maria Cecília, que se corresponde com escritores de todo o País, entre eles o mato-grossense Manoel de Barros. Segundo a autora, ‘‘Assim...’’ reúne poemas longos, ‘‘quase elegias’’; hai-kais, textos apaixonados, imagens refletindo a natureza.
Razões Editar seus textos é uma forma que a autora encontrou para não deixar acomodados na gaveta os versos escritos. A publicação tem essa finalidade e não a de se promover socialmente, ou de que maneira for. ‘‘Não me promovo pessoalmente através da poesia; não preciso disso. Eu me dôo através dela’’.
Seu encontro com Cícero Dias aconteceu durante uma exposição do pintor em Curitiba, promovida por Valdir Simões. Conversando com o artista, veio à tona uma antiga história - e Cícero, atônito, descobriu que à sua frente estava a sobrinha de uma mulher que ele havia namorado há quase 70 anos.
A magia da casualidade aproximou-os e resultou agora na ilustração do livro, um acontecimento inédito em sua carreira. Cícero Dias, pernambucano de Recife e amigo de Picasso, é o último remanescente dessa geração. Mas a alma brasileira continua sendo a matéria prima com a qual trabalha e que estará impressa nas páginas do livro.
‘‘Assim...’’, um título tão breve, tem uma explicação mais extensa. No dicionário ‘‘Aurélio’’ a palavra quer dizer ‘‘a maneira de ser’’ de um indivíduo. ‘‘O livro é uma maneira de mostrar o que sou, e também indica uma certa entrega. Todo poeta se entrega, mostra o avesso’’, observa a autora.

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