A cultura inserida como política pública, o respeito à diversidade cultural e o comprometimento da política cultural buscando a igualdade social são temas que surgiram em políticas governamentais nos últimos anos. Mesmo de forma tímida, alguns projetos de governo e de organizações não governamentais têm como espinha dorsal a cultura impulsionando o desenvolvimento integral das comunidades.
Esses temas foram tratados durante a 1 Reunião Interamericana de Ministros e Altas Autoridades de Cultura, organizado pela OEA (Organização dos Estados Americanos). O evento aconteceu na Colômbia, na cidade de Cartagena, nos dias 12 e 13 de julho. Além dos ministros que ocupam a pasta da cultura, participaram do evento o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), Banco Mundial, Observadores de Políticas Culturais. Representantes da sociedade civil integraram a reunião, o que foi considerado inédito.
O Brasil foi representado pelo Ministério das Relações Exteriores, juntamente com Felipe Lindoso, da Câmara Brasileira do Livro, e pela diretora do Filo (Festival Internacional de Londrina) e presidente da Rede Cultural do Mercosul, Nitis Jacon. O Ministério da Cultura do Brasil não enviou representante ao encontro. Esse vácuo na representação oficial brasileira deve enfraquecer a proposta de difusão do resultado do encontro, quando os participantes se comprometeram em repassar as diretrizes de cultura como política pública aos governos das esferas federal, estadual e municipal.
Ao final do encontro, foi apresentado um projeto de declaração e planos de ação de Cartagena de Índias redigido pelo Conselho Interamericano para o Desenvolvimento Integral (CIDI). Dentre os principais tópicos do documento, estão a diversidade cultural como riqueza das sociedades, o respeito aos direitos culturais com destaque aos direitos dos criadores artísticos. O documento reafirma a necessidade dos governos ''acordarem'' e inserirem a cultura como política cultural nas agendas de política nacional. Os governos que fizeram essa opção encontraram um caminho para dizimar a pobreza e melhorar a qualidade de vida.
Segundo Nitis Jacon, as agências de fomento e promoção presentes ao encontro colombiano devem divulgar as declarações e conceitos debatidos. ''Discutimos que a cultura deve estar inserida nas negociações do comércio exterior. O estado deve proteger e apoiar bens e serviços culturais'', destaca. A diretora do Filo contactou com ministros da cultura de vários países e afirmou que os governos precisam da atuação das ONGs. ''Sentimos a sensibilidade de muitos ministros para as questões apresentadas no encontro da cultura para o desenvolvimento integral. Há que se considerar no risco dos países hegemônicos e o cuidado no trato das questões'', avalia. No caso, a política dos Estados Unidos não encontra ressonância nos preceitos em pauta.
''Diante dos acordos estratégicos é preciso que a cultura esteja nas mesas de discussões. Os bens e serviços culturais não podem ser tratados como mercadorias'', destaca Nitis Jacon. O CIDI pretende criar um conselho para políticas culturais e a OEA criar mais observatórios de políticas culturais.

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