Odisséia pop e sexual
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de julho de 2000
Celso Mattos De Londrina 
Considerado o Cidadão Kane do rock, Velvet Goldmine traz de volta plumas, paetês, lantejoulas e o brilho da desbundada década de 70. Uma obra de excessos e muita, mas muita androgenia. Dirigido por Todd Haynes, o filme é uma utopia sexual e pop inspirada na trajetória de David Bowie e Iggy Pop, que faz uma emocionante reconstituição do glam rock dos anos 70.
Narrado quase como Cidadão Kane, tem como condutor o jovem jornalista Arthur (Christian Bale, que fez o garoto de Império do Sol), a quem é dada a tarefa de reencontrar Brian Slade (Jonathan Rhys Meyers), um velho ídolo pop que desapareceu sem deixar vestígios. Em suas investigações, Arthur conversa com o veterano roqueiro Curt Wild, interpretado por Ewan McGregor, fazendo uma viagem a um passado lisérgico e quase irreal.
Todd Haynes faz um sensível inventário do que representou o glam rock, movimento musical nascido na Inglaterra no início da década de 70, em que artistas eram andróginos e usavam muita maquiagem e se vestiam de forma extravagante. O cineasta usa personagens absurdamente parecidos com músicos reais que fizeram parte do estilo. Sem pretensão de documentar fatos da época, Haynes fez um filme bem-feito, divertido, sensível e gostoso de assistir e ouvir e, principalmente, sem preconceitos.
O roteiro, escrito pelo próprio diretor consegue ser ao mesmo tempo poético e agressivo. Quando um jornalista pergunta a Brian Slade por que ele usa tanta maguiagem, o astro responde: Porque o rock é uma prostituta. Infelizmente, Velvet Goldmine teve uma temporada relâmpago no Brasil. Depois de ser exibido na Mostra Internacional de Cinema, em São Paulo, ficou em cartaz por pouco tempo e apenas nas principais capitais do Brasil. Para quem não teve a oportunidade ver no cinema, o filme acaba de chegar às locadoras e, de cara, é um programão para este fim de semana. Lançamento da Cult Filmes. Duração: 123 minutos.
OUTROS LANÇAMENTOS
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Reprodução
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Mifune foi o vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim
Mifune
Terceiro rebento do movimento dinamarquês Dogma 95, Mifune segue a mesma linha de Festa de Família e Os Idiotas: câmera na mão, ausência de artifícios de cenografia e iluminação, recusa de trilha sonora sobreposta posteriormente sobre às imagens. Dirigido por Soren Kragh-Jacobsen, o filme tem uma velocidade narrativa diversa, sobretudo no começo. Em poucos planos, vemos o protagonista Kresten (Anders W. Berthelson) casando, partir para a lua-de-mel e na manhã seguinte receber a notícia da morte do pai.
Ele parte para a fazenda para cuidar do enterro e do irmão deficiente mental. Logo o foco narrativo se desloca para a prostituta Liva (Iben Hiejle), que ele contrata para cuidar do irmão e acaba se apaixonando por ela. O curioso título do filme é uma referência ao ator japonês Toshiro Mifune. Para acalmar o irmão deficiente durante as suas crises, Kresten imita uma luta de samurais, mais propriamente o papel desempenhado por Toshiro em Os Sete Samurais, de Akira Kurosawa. Mifune foi o vencedor do Urso de Prata no Festival de Berlim. Lançamento da Cul Filmes. Duração: 98 minutos.
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Reprodução
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Reese Witerspoon, Matthew Broderick e Chris Klein estrelam esta comédia corrosiva
Eleição
Esta comédia acima da média mostra como a eleição para presidente do Conselho Estudantil de um colégio norte-americano pode ser tão corrupta como qualquer outra. Dirigido por Alexander Payne, o mesmo de Ruth em Questão, o filme tem no elenco Reese Whiterspoon e Matthew Broderick. Eleição mostra dois tipos que formam a sociedade americana: os winners (vencedores) e os losers (perdedores). É o desejo incontrolável de ser uma vencedora que diferencia Tracy Flick (Reese Witerspoon) dos objetos de escárnio da escola.
O grande mérito do diretor Payne é mostrar como essa competição desenfreada virou um câncer na sociedade americana, sem apelar para sermões ou lições de moral. O filme tem personagens interessantes, como a irmã lésbica de um dos candidatos que arma a maior confusão só para ser transferida para um colégio interno só de garotas. Uma fita surpreendente! Lançamento da CIC. Duração: 103 minutos.


