Odete viva e uma atriz londrinense no final de Vale Tudo
A vilã vivinha foi uma surpresa no último capítulo; a outra foi ver a atriz londrinense Patrícia Selonk como juíza de casamento
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 17 de outubro de 2025
A vilã vivinha foi uma surpresa no último capítulo; a outra foi ver a atriz londrinense Patrícia Selonk como juíza de casamento

Entre as reviravoltas de "Vale Tudo", em sua segunda versão, saber que Odete Roitman (Debora Block) não morreu foi uma surpresa no último capítulo que foi ao ar na sexta-feira (17), embora o final feliz da vilã, com a ajuda de Freitas (Luís Lobianco), já estivesse sendo cogitado há alguns dias nas redes e nos sites de fofoca.
A cirurgia feita em Odete para retirar a bala, depois que Marco Aurélio (Alexandre Nero) tentou matá-la - sim, foi ele! - foi uma cena dramática, quase cômica, com os médicos operando a vilã ameaçados com revólver. Cena que se aproxima dos acontecimentos que também estão na vida real quando um bandido precisa de atendimento.
LONDRINENSE NA TELINHA
Mas para telespectadores atentos, a presença da atriz londrinense Patrícia Selonk como juíza no casamento de Cecília (Maeve Jinkings) e Laís (Lorena Lima) foi outra grande surpresa. Selonk é integrante da Cia Armazém de Teatro - hoje radicada no Rio de Janeiro - e um orgulho para Londrina não só porque aparece em novelas, mas porque é uma atriz premiada do teatro que às vezes faz papéis televisivos. Há três anos, em 2022, foi uma governanta discreta na novela "Um Lugar ao Sol", escrita por Lícia Manzo. E agora retornou numa ponta em "Vale Tudo" na versão reescrita por Manuela Dias.
Com talento forjado no palco, em 1994, Patrícia Selonk recebeu o Prêmio Mambembe de Melhor Atriz por sua atuação em “A Ratoeira é o Gato”. Foi contemplada com o cobiçado Prêmio Shell em 2008 por seu trabalho no espetáculo “Inveja dos Anjos”. Ganhou o Prêmio Cenym em 2017 pela sua interpretação em “Hamlet”. Em 2020, recebeu o Prêmio APTR de Melhor Atriz Coadjuvante, por sua participação em "Angels in America", entre outras conquistas.
MARIA DE FÁTIMA NO AGRO
Um desfecho hilário - entre tantos - foi ver Maria Fátima (Bella Campos) casada com um fazendeiro rico que a chama de "meu tesouro" , enquanto ela aparece todinha trabalhada na grana do agro, desde o figurino, com chapéu, até o sotaque com um "erre" bem carregado.
Entre outros detalhes que merecem destaque, a tornozeleira com capinha dourada usada por Leila (Carolina Dieckmann), depois de ser presa com Marco Aurélio, dá a medida da ostentação no mundo do crime. O fato de Marco Aurélio sair rapidinho da cadeia, indo para casa também com tornozeleira eletrônica, remete ao grau de impunidade no Brasil, onde criminosos de colarinho branco ficam em prisão domiciliar mesmo quando praticam os piores golpes. Com isso, "Vale Tudo" cumpre novamente o papel de sintonizar a ficção com a realidade do Brasil contemporâneo, no qual a prisão domiciliar, muitas vezes, é uma espécie de "prêmio" para o descaramento geral.
Mas, como se sabe, a arte imita a vida, sobretudo a vida nacional.
EXCESSO DE PUBLICIDADE
O excesso de publicidade ou merchandising em todos os capítulos atrapalhou muitos momentos de "Vale Tudo." Ninguém leva a sério uma cena com Raquel (Taís Araújo) recebendo uma atendente da Vivo em casa e muito menos a brincadeira - ainda que não esteja conectada às cenas do capítulo - das pessoas da produção decidirem lavar a roupa ensanguentanda de Odete Roitman com um produto de marca conhecida ao fim da novela.
Seria melhor se a roupa suja da vilã não fosse lavada fora de casa ou fora do enredo. Mas, pelo visto, o merchandising que já foi discreto, hoje rouba a cena.


Celia Musilli
Editora de Cultura e colunista.


